Choque Pediátrico no Trauma: Reanimação Volêmica e Acessos

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Uma criança com 7 anos, pesando 25 kg, foi atropelada por motociclista ao atravessar a rua. Ao ser atendida por equipe de suporte avançado do serviço de emergência pré-hospitalar, relatou dor abdominal, sendo evidenciadas escoriações no abdome, dorso e membros inferiores, e ela apresentava sinais clínicos de choque. Foi iniciada reanimação volêmica por via periférica ainda durante o transporte para o hospital mais próximo. Com base na história clínica e nos dados do exame físico, a conduta correta para essa criança, a nível hospitalar, deve ser

Alternativas

  1. A) dissecção venosa na fossa antecubital para infusão de solução glicofisiológica.
  2. B) punção percutânea de veia subclávia e infusão endovenosa de solução glicofisiológica.
  3. C) punção percutânea de acessos venosos periféricos e infusão de solução isotônica aquecida.
  4. D) punção percutânea de veia jugular para infusão endovenosa de solução isotônica aquecida. 

Pérola Clínica

Choque hipovolêmico em criança → priorizar acessos venosos periféricos calibrosos e infusão rápida de solução isotônica aquecida.

Resumo-Chave

Em crianças com choque hipovolêmico por trauma, a prioridade é restabelecer a volemia rapidamente. A punção de dois acessos venosos periféricos de grosso calibre é a via preferencial para infusão de soluções isotônicas aquecidas, como soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato, em bolus de 20 mL/kg.

Contexto Educacional

O trauma é a principal causa de morte e morbidade em crianças, e o choque hipovolêmico é uma complicação comum e potencialmente fatal. O manejo rápido e eficaz do choque no trauma pediátrico é um pilar fundamental do suporte avançado de vida, exigindo conhecimento específico das particularidades fisiológicas da criança. A capacidade de compensação cardiovascular em crianças é maior, mas quando descompensam, a deterioração é rápida. A reanimação volêmica é a pedra angular do tratamento do choque hipovolêmico. A prioridade é a obtenção de acessos vasculares rápidos e seguros. Em crianças, a punção de dois acessos venosos periféricos de grosso calibre é a via de escolha inicial. Se não for possível em tempo hábil (geralmente 90 segundos ou duas tentativas), o acesso intraósseo deve ser prontamente estabelecido, pois permite a infusão de fluidos e medicamentos em taxas semelhantes às vias centrais, com menor risco de complicações. A solução de escolha para a reanimação é isotônica (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato), administrada em bolus de 20 mL/kg, que pode ser repetido. É crucial que as soluções sejam aquecidas para evitar hipotermia, uma complicação grave que pode agravar o choque e a coagulopatia. A monitorização contínua dos sinais vitais, perfusão e débito urinário guia a resposta à reanimação.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial para reanimação volêmica em uma criança com choque hipovolêmico por trauma?

A conduta inicial é estabelecer dois acessos venosos periféricos de grosso calibre e iniciar a infusão rápida de bolus de solução isotônica (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) aquecida, na dose de 20 mL/kg, repetindo se necessário.

Por que é preferível usar acessos venosos periféricos em vez de centrais no trauma pediátrico com choque?

Acessos venosos periféricos são mais rápidos de obter e menos associados a complicações graves (pneumotórax, hemotórax) em comparação com acessos centrais. Em choque, a rapidez é primordial, e a taxa de infusão por periféricos calibrosos pode ser muito alta.

Quando o acesso intraósseo é indicado no trauma pediátrico?

O acesso intraósseo é indicado quando não é possível obter acesso venoso periférico em 90 segundos ou após duas tentativas, especialmente em situações de choque grave ou parada cardiorrespiratória. É uma via segura e eficaz para a administração de fluidos e medicamentos.

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