Choque Hipovolêmico Pediátrico: Manejo na PCR por Desidratação

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente com oito meses de vida teve inúmeros episódios de diarreia há cinco dias, associada a vômitos e à febre. Foi levado ao pronto-socorro por sua mãe após dois dias do início do quadro e ela recebeu apenas orientações e prescrição de sintomáticos para realizar terapia de reidratação oral em casa. O paciente teve piora da diarreia e diminuição da diurese, evoluindo com irritabilidade e febre. Foi levado novamente ao pronto-socorro, agora em mau estado geral, afebril, letárgico, com frequência respiratória de 64 ipm, saturação de oxigênio de 88%, frequência cardíaca de 180 bpm, pulsos periféricos finos, enchimento capilar de 4 s e pressão arterial de 69 x 40 mmHg. Exames iniciais mostraram: Na 144 mEq/L; K 5,6 mEq/L; Cl 100 mEq/dL; pH 7,21; Bic 12 mmol/L; e Gli 65 mg/dL. Durante expansão inicial com SF 0,9% em via intraóssea, o paciente apresentou PCR em assistolia. Nesse caso hipotético, considerando a principal causa reversível dessa PCR, a melhor conduta será

Alternativas

  1. A) administrar bicarbonato de sódio devido à hipercalemia.
  2. B) intensificar a hidratação, pois a principal causa reversível é a hipovolemia.
  3. C) realizar push de glicose para reverter a hipoglicemia.
  4. D) realizar intubação orotraqueal devido à hipoxemia.
  5. E) administrar bicarbonato de sódio para reverter a acidose metabólica.

Pérola Clínica

PCR pediátrica por desidratação grave → principal causa reversível é hipovolemia → intensificar hidratação.

Resumo-Chave

Em um lactente com quadro de diarreia e vômitos evoluindo para choque e PCR em assistolia, a hipovolemia severa é a causa reversível mais provável. Apesar da expansão inicial, a persistência dos sinais de choque indica que a reposição volêmica foi insuficiente, e a prioridade é intensificar a hidratação para reverter o choque e a PCR.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico é uma das principais causas de morbimortalidade em pediatria, especialmente em lactentes, frequentemente desencadeado por desidratação grave secundária a diarreia e vômitos. A rápida progressão para a parada cardiorrespiratória (PCR) é um desfecho temido, mas muitas vezes evitável com intervenção precoce e agressiva. A identificação dos sinais de choque, como taquicardia, pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado e hipotensão, é crucial para o reconhecimento imediato da gravidade do quadro. A fisiopatologia envolve a perda de volume intravascular, levando à diminuição do débito cardíaco e perfusão tecidual inadequada. A acidose metabólica e os distúrbios eletrolíticos, como a hipercalemia, são consequências da má perfusão e da disfunção celular. No contexto de uma PCR em assistolia, a hipovolemia é uma das causas reversíveis mais importantes, e a intensificação da reposição volêmica é a medida terapêutica prioritária. A via intraóssea é um acesso rápido e eficaz para a administração de fluidos e medicamentos em emergências pediátricas. O manejo do choque hipovolêmico pediátrico exige uma abordagem sistemática e rápida, com foco na restauração do volume intravascular. A administração de bolus de cristaloides isotônicos de 20 mL/kg, repetidos conforme a resposta, é a pedra angular do tratamento. A correção de distúrbios eletrolíticos e acidose deve ser considerada, mas sempre após a estabilização hemodinâmica inicial. Residentes devem estar aptos a reconhecer e tratar prontamente o choque hipovolêmico para melhorar o prognóstico de crianças gravemente desidratadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de choque hipovolêmico grave em lactentes?

Os sinais de choque hipovolêmico grave em lactentes incluem letargia, irritabilidade, taquicardia, pulsos periféricos finos ou ausentes, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), hipotensão (sinal tardio), oligúria e extremidades frias. A frequência respiratória elevada e a saturação baixa também podem indicar descompensação.

Qual a conduta inicial para reanimação volêmica em choque hipovolêmico pediátrico?

A conduta inicial para reanimação volêmica em choque hipovolêmico pediátrico é a administração rápida de bolus de solução cristaloide isotônica (SF 0,9% ou Ringer Lactato) na dose de 20 mL/kg, repetida conforme a resposta clínica. Em situações de emergência e dificuldade de acesso venoso, o acesso intraósseo é uma alternativa eficaz.

Quais são as principais causas reversíveis de parada cardiorrespiratória em pediatria?

As principais causas reversíveis de PCR em pediatria são as 5 Hs e 5 Ts: Hipovolemia, Hipóxia, H+ (acidose), Hipo/Hipercalemia, Hipotermia, Toxinas, Tamponamento cardíaco, Tensão pneumotórax, Trombose coronariana/pulmonar. A hipovolemia e a hipóxia são as mais comuns em crianças.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo