UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022
Lactente com 11 meses de idade, evoluindo há 24 horas com diarreia profusa, 8 vezes ao dia, liquida, com odor fétido, sem sangue, acompanhada de vômitos (5 vezes ao dia). Sem febre. Não consegue comer há 12 h, com piora importante do estado geral. Previamente hígido. Aleitamento materno exclusivo até 6º mês de idade. Ao exame: letárgico, pálido, taquineico, olhos encovados Of: saliva espessa AP: MV +, sra FR: 60 ipm sem tiragem SO₂: 90% Ac: BCNF RCR 2T, sem sopros FC: 180 bpm Pulsos periféricos finos PCP:5 segundos PA: 60x40 mmhg Abd: globoso, distendido, flácido, RHA aumentados SN:letárgico. O diagnostico provável no caso acima é:
Lactente com diarreia/vômitos + letargia, taquicardia, hipotensão, pulsos finos, TPC > 3s → Choque Hipovolêmico Hipotensivo (descompensado).
O lactente apresenta sinais clássicos de choque hipovolêmico descompensado (hipotensivo), como letargia, taquicardia, hipotensão, pulsos finos e tempo de enchimento capilar prolongado. A desidratação grave por diarreia e vômitos é a causa provável, exigindo intervenção imediata com fluidos intravenosos.
O choque hipovolêmico é uma emergência pediátrica grave, especialmente em lactentes, que são mais suscetíveis à desidratação devido à maior proporção de água corporal total e maior taxa metabólica. A gastroenterite aguda, com diarreia e vômitos, é a causa mais comum de desidratação grave e choque hipovolêmico nessa faixa etária. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para evitar morbidade e mortalidade. A fisiopatologia do choque hipovolêmico envolve a perda de volume intravascular, levando à diminuição do débito cardíaco e perfusão tecidual inadequada. Inicialmente, o corpo tenta compensar com taquicardia e vasoconstrição periférica (choque compensado). No entanto, quando esses mecanismos falham, ocorre hipotensão (choque hipotensivo ou descompensado), como evidenciado no caso clínico pelos múltiplos sinais de má perfusão e pressão arterial baixa. O manejo do choque hipovolêmico em lactentes exige ressuscitação volêmica imediata com cristaloides isotônicos. A administração de bolus de 20 mL/kg de soro fisiológico 0,9% ou Ringer lactato, repetidos conforme a resposta clínica, é a pedra angular do tratamento. A monitorização contínua dos sinais vitais, nível de consciência, tempo de enchimento capilar e débito urinário é essencial para guiar a terapia e avaliar a resposta à fluidoterapia. Residentes devem estar preparados para agir rapidamente nessas situações críticas.
Os principais sinais incluem hipotensão (PA 60x40 mmHg), taquicardia (FC 180 bpm), pulsos periféricos finos, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), letargia, olhos encovados e saliva espessa, indicando desidratação grave e falha dos mecanismos compensatórios.
A causa mais comum é a desidratação grave secundária a gastroenterite aguda, caracterizada por diarreia profusa e vômitos, como no caso apresentado. Outras causas incluem hemorragias e perdas insensíveis excessivas.
A conduta inicial é a ressuscitação volêmica agressiva com bolus de solução cristaloide isotônica (ex: soro fisiológico 0,9%) de 20 mL/kg, administrados rapidamente (em 5-20 minutos), com reavaliações frequentes para guiar a administração de bolus adicionais até a estabilização hemodinâmica.
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