Choque Hemorrágico: Tríade Letal e Classificação ATLS

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2021

Enunciado

Paciente sexo masculino, 18 anos de idade, vitima de acidente (moto x moto) chega ao Pronto atendimento trazido por amigos. O mesmo é levado a sala vermelha com sinais de traumatismo torácico, traumatismo abdominal e em membros inferiores. O atendimento é feito com base no protocolo do ATLS e rapidamente é constatado que o paciente apresenta quadro de choque provavelmente hipovolêmico. Choque pode ser definido amplamente como uma perfusão inadequada dos tecidos, apresenta uma série de reações ou repercussões pelo organismo, que mesmo com o controle da perda volêmica, ainda ocasionam morbidade e mortalidade. Assinale a alternativa correta com relação ao choque hipovolêmico hemorrágico. I - Um dos mecanismos compensatórios é o desvio de sangue dos tecidos mais críticos para os tecidos menos críticos. II - A tríade letal que ocorre em pacientes em estado de choque é a acidose, hipotermia e coagulopatia. III - Segundo o ATLS a redução na pressão arterial somente ocorre na fase III do choque hemorrágico.

Alternativas

  1. A) I e II estão corretas.
  2. B) I e III estão corretas.
  3. C) II e III estão corretas.
  4. D) Todas estão corretas.

Pérola Clínica

Choque hemorrágico: tríade letal = acidose, hipotermia, coagulopatia; hipotensão só na fase III do ATLS.

Resumo-Chave

A afirmação I está incorreta, pois o desvio de sangue ocorre dos tecidos menos críticos (pele, músculo, trato gastrointestinal) para os mais críticos (coração, cérebro, rins). As afirmações II e III estão corretas, a tríade letal é acidose, hipotermia e coagulopatia, e a hipotensão arterial é um sinal tardio, aparecendo a partir do choque classe III.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico hemorrágico é uma condição de emergência grave no trauma, caracterizada por perfusão tecidual inadequada devido à perda de volume sanguíneo. O protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support) é a base para o manejo, focando na identificação rápida e tratamento. Os mecanismos compensatórios iniciais incluem taquicardia, vasoconstrição periférica e desvio de fluxo sanguíneo dos órgãos menos vitais (pele, músculos, TGI) para os mais vitais (coração, cérebro, rins). A afirmação I está incorreta porque o desvio de sangue ocorre dos tecidos menos críticos para os mais críticos, e não o contrário. A afirmação II está correta: a tríade letal do trauma, composta por acidose metabólica, hipotermia e coagulopatia, é um ciclo vicioso que agrava o sangramento e aumenta a mortalidade. A hipotermia inibe as enzimas da cascata de coagulação, a acidose deprime a função miocárdica e a coagulopatia impede a formação de coágulos eficazes. A afirmação III também está correta: segundo o ATLS, a redução da pressão arterial é um sinal tardio de choque hemorrágico, geralmente ocorrendo a partir da Classe III (perda de 30-40% do volume sanguíneo). Antes disso, os mecanismos compensatórios conseguem manter a pressão arterial, tornando a taquicardia e a alteração do estado mental sinais mais precoces e sensíveis de choque.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais precoces de choque hemorrágico?

Os sinais precoces de choque hemorrágico incluem taquicardia, taquipneia, pele fria e pegajosa, tempo de enchimento capilar prolongado e ansiedade/agitação. A hipotensão é um sinal tardio, indicando descompensação.

Por que a tríade letal (acidose, hipotermia, coagulopatia) é tão perigosa no trauma?

A tríade letal cria um ciclo vicioso que agrava o sangramento e dificulta a ressuscitação. A hipotermia prejudica a coagulação, a acidose deprime a função miocárdica e a coagulopatia impede a formação de coágulos estáveis, levando a mais sangramento.

Como o ATLS classifica o choque hemorrágico e qual a importância?

O ATLS classifica o choque hemorrágico em quatro classes com base na perda volêmica, frequência cardíaca, pressão arterial, pressão de pulso, frequência respiratória, débito urinário e estado mental. Essa classificação guia a ressuscitação e a necessidade de transfusão sanguínea.

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