ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um homem de 28 anos, admitido no pronto-socorro após um acidente automobilístico, apresenta ectoscopicamente sinais evidentes de trauma abdominal. Na avaliação neurológica inicial, está consciente, mas confuso. Seus sinais vitais são: pressão arterial de 85/60 mmHg, frequência cardíaca de 130 bpm, frequência respiratória de 28 ipm, saturação de oxigênio de 94% em ar ambiente. Sua pele está fria e pegajosa, com enchimento capilar prolongado. Refere dor intensa no abdômen. O abdômen está tenso e distendido, com dor à palpação e sem peristaltismo audível. Os exames complementares mostram hemoglobina 8 g/dL com hematócrito de 24%. Foi realizado um FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma), que mostrou líquido livre na cavidade peritoneal. Radiografia de tórax e pelve não mostrou fraturas. Nesse momento, seu diagnóstico e de choque hipovolêmico grau III por hemorragia intra-abdominal. A conduta adotada deverá ser:
Choque Grau III + FAST positivo → Transfusão 1:1:1 + Cirurgia imediata.
No choque hipovolêmico grau III com evidência de sangramento intra-abdominal (FAST+), a prioridade é a ressuscitação hemostática balanceada e o controle cirúrgico imediato da fonte de sangramento.
O manejo do choque hemorrágico no trauma evoluiu da reposição agressiva de cristaloides para a ressuscitação hemostática precoce. O ATLS 10ª edição enfatiza que pacientes em choque grau III ou IV devem receber hemoderivados precocemente. A identificação de líquido livre pelo FAST em pacientes hipotensos simplifica a decisão clínica, direcionando o paciente diretamente para o centro cirúrgico para controle de danos, visando interromper a hemorragia e restaurar a fisiologia antes de reparos definitivos.
O choque grau III é caracterizado por uma perda volêmica de 30-40% (aprox. 1500-2000ml em adultos), apresentando-se com taquicardia acentuada (>120 bpm), hipotensão, taquipneia (25-35 irpm), queda no débito urinário e alteração do estado mental (confusão).
A proporção de 1 unidade de concentrado de hemácias para 1 de plasma fresco congelado e 1 de plaquetas mimetiza o sangue total, prevenindo a coagulopatia dilucional e a tríade da morte (acidose, hipotermia e coagulopatia) em pacientes com hemorragia grave.
O FAST positivo (presença de líquido livre na cavidade peritoneal) em um paciente com instabilidade hemodinâmica (choque) após trauma abdominal é uma indicação clássica para laparotomia exploradora imediata, sem necessidade de exames de imagem adicionais.
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