Choque Hipovolêmico no Trauma: Classificação e Manejo ATLS

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2018

Enunciado

Paciente 30 anos, sexo masculino, chega ao pronto-atendimento do Hospital Metropolitano, vítima de acidente de moto, colisão moto-caminhão, trazido pela equipe do SAMU, confuso e agitado, taquicárdico FC: 130 bpm, hipotenso PA 80/40 mmHg, queixando-se de dor em quadril. Foi atendido aos moldes do ATLS e realizada a rotina radiológica do trauma, cujo raio-x da pelve é apresentado abaixo. Sobre choque, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O paciente apresenta choque séptico e necessita realizar hidratação e antibioticoterapia.
  2. B) O paciente enquadra-se na classificação de choque hipovolêmico por hemorragia classe II e necessita realizar reposição volêmica com cristaloides e sangue.
  3. C) O paciente enquadra-se na classificação de choque hipovolêmico por hemorragia classe III e necessita realizar reposição volêmica com cristaloides e sangue.
  4. D) A prioridade de atendimento aos moldes do ATLS no choque é o controle da hemorragia e posteriormente a via aérea.
  5. E) Em relação ao quadro clínico exposto acima, a sondagem vesical está indicada para o monitoramento do débito urinário e fluxo sanguíneo renal.

Pérola Clínica

Trauma com FC 130, PA 80/40, confuso → Choque hipovolêmico Classe III, requer cristaloides + sangue.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais clássicos de choque hipovolêmico hemorrágico Classe III (taquicardia >120 bpm, hipotensão, alteração do nível de consciência), frequentemente associado a traumas graves como fraturas pélvicas. A conduta inicial é reposição volêmica agressiva com cristaloides e hemoderivados.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico hemorrágico é a principal causa de morte evitável no trauma, sendo crucial seu reconhecimento e manejo rápido e eficaz. A classificação do choque pelo Advanced Trauma Life Support (ATLS) baseia-se na porcentagem de perda volêmica, correlacionando-a com parâmetros fisiológicos como frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, débito urinário e estado mental. Essa classificação orienta a gravidade e a necessidade de reposição volêmica. O paciente do caso, com taquicardia (FC 130 bpm), hipotensão (PA 80/40 mmHg) e confusão/agitação, enquadra-se na classificação de choque hipovolêmico por hemorragia Classe III, indicando uma perda volêmica de 30-40%. Traumas pélvicos, como o sugerido pela dor e radiografia, são fontes comuns de hemorragia significativa e oculta, podendo levar rapidamente a esse grau de choque. O manejo inicial segue os princípios do ATLS, com prioridade para o controle da via aérea, respiração e, em seguida, a circulação, que inclui o controle da hemorragia e a reposição volêmica agressiva com cristaloides e hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma, plaquetas). É fundamental monitorar a resposta à ressuscitação e estar atento a contraindicações para procedimentos como a sondagem vesical em casos de suspeita de lesão uretral.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos de choque hipovolêmico Classe III?

Os sinais incluem taquicardia (FC 120-140 bpm), hipotensão (PA diminuída), taquipneia (FR 30-40), débito urinário reduzido (5-15 mL/h) e alteração do nível de consciência (ansiedade/confusão).

Qual a prioridade de atendimento no choque hemorrágico segundo o ATLS?

A prioridade segue o ABCDE: Via Aérea (A), Respiração (B), Circulação (C, incluindo controle da hemorragia e reposição volêmica), Incapacidade (D) e Exposição (E). O controle da hemorragia é crucial na fase C.

Quando a sondagem vesical é contraindicada em pacientes com trauma pélvico?

A sondagem vesical é contraindicada se houver suspeita de lesão uretral, indicada por sinais como sangue no meato uretral, hematoma escrotal/perineal ou próstata alta ao toque retal. Nesses casos, deve-se realizar uretrografia retrógrada antes.

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