Fisiopatologia e Classificação do Estado de Choque

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Em relação ao estado de choque, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) Uma das classificações se divide em cardiogênico (por falha de bomba e isquemia), hemorrágico e distributivo (sepse, neurogênico ou tamponamento cardíaco).
  2. B) Em geral a hipotensão somente se manifesta no choque classe II, quando o indivíduo perdeu de 15 a 30% da volemia.
  3. C) A hemoglobina dosada de forma precoce não mostra a perda volêmica, mesmo em pacientes com reanimação prévia.
  4. D) No Trauma o índice de choque (razão entre a frequência cardíaca e a pressão diastólica) tem se mostrado melhor marcador de gravidade do que a frequência cardíaca ou a pressão diastólica isolada, em especial nos casos de trauma.
  5. E) Em geral, sangramento arterial produz hipotensão mais precoce, mas demora mais para isquemia podendo retardar o aumento do lactato sérico.

Pérola Clínica

Sangramento arterial → Hipotensão precoce, mas compensação inicial pode retardar o aumento do lactato sérico.

Resumo-Chave

O choque é um estado de hipoperfusão tecidual. Em sangramentos arteriais agudos, a queda da PA pode preceder a falência dos mecanismos compensatórios que evitam o metabolismo anaeróbico imediato, retardando o pico de lactato.

Contexto Educacional

O estado de choque é definido pela incapacidade do sistema circulatório em fornecer oxigênio suficiente para atender às demandas metabólicas celulares. A classificação tradicional divide o choque em quatro tipos principais: hipovolêmico (hemorrágico ou não), cardiogênico, obstrutivo (tamponamento, TEP, pneumotórax) e distributivo (sepse, anafilaxia, neurogênico). No contexto do trauma, o choque hipovolêmico hemorrágico é a causa mais comum. A compreensão da dinâmica entre macrocirculação (PA, FC) e microcirculação (lactato, excesso de bases) é crucial. A alternativa gabaritada destaca uma nuance fisiopatológica: em sangramentos arteriais, a queda pressórica é abrupta, mas a transição para o metabolismo anaeróbico sistêmico e a consequente elevação do lactato podem apresentar um pequeno hiato temporal enquanto os mecanismos de compensação celular ainda operam.

Perguntas Frequentes

Por que o lactato pode demorar a subir no sangramento arterial agudo?

O lactato é um subproduto do metabolismo anaeróbico que ocorre quando a oferta de oxigênio (DO2) não atende à demanda metabólica tecidual. Em um sangramento arterial súbito e maciço, a queda da pressão arterial (hipotensão) ocorre de forma quase imediata devido à perda rápida de volume circulante e queda do débito cardíaco. No entanto, os tecidos podem ainda utilizar o oxigênio residual e mecanismos de extração aumentada por um curto período antes de migrarem para a glicólise anaeróbica. Além disso, o lactato precisa ser liberado dos tecidos hipoperfundidos para a circulação sistêmica para ser dosado, processo que pode ser retardado pela própria vasoconstrição periférica intensa presente no choque compensado.

Qual a limitação da hemoglobina na avaliação inicial do choque hemorrágico?

A dosagem de hemoglobina (Hb) e hematócrito (Ht) nas primeiras horas de um trauma não reflete a magnitude real da perda sanguínea. Isso ocorre porque o paciente perde sangue total (plasma e células proporcionalmente), mantendo a concentração de hemoglobina inalterada inicialmente. A queda da Hb só se torna evidente após o mecanismo de compensação fisiológica (desvio de fluido intersticial para o compartimento intravascular) ou após a reanimação volêmica com cristaloides, que promovem a hemodiluição. Portanto, um valor de Hb normal no atendimento inicial não exclui hemorragia grave.

O que é o Índice de Choque e qual sua utilidade?

O Índice de Choque (IC) é definido pela razão entre a Frequência Cardíaca (FC) e a Pressão Arterial Sistólica (PAS). Valores normais situam-se entre 0,5 e 0,7. No trauma, o IC é um marcador mais sensível de choque oculto e gravidade do que a FC ou a PAS isoladamente. Um IC > 0,9 está fortemente associado à necessidade de transfusão maciça e maior mortalidade. Ele ajuda a identificar pacientes que, apesar de manterem uma PAS 'normal' devido à compensação adrenérgica (choque classe I ou II), já apresentam sinais de instabilidade hemodinâmica iminente.

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