PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Em relação ao estado de choque, podemos afirmar que:
Sangramento arterial → Hipotensão precoce, mas compensação inicial pode retardar o aumento do lactato sérico.
O choque é um estado de hipoperfusão tecidual. Em sangramentos arteriais agudos, a queda da PA pode preceder a falência dos mecanismos compensatórios que evitam o metabolismo anaeróbico imediato, retardando o pico de lactato.
O estado de choque é definido pela incapacidade do sistema circulatório em fornecer oxigênio suficiente para atender às demandas metabólicas celulares. A classificação tradicional divide o choque em quatro tipos principais: hipovolêmico (hemorrágico ou não), cardiogênico, obstrutivo (tamponamento, TEP, pneumotórax) e distributivo (sepse, anafilaxia, neurogênico). No contexto do trauma, o choque hipovolêmico hemorrágico é a causa mais comum. A compreensão da dinâmica entre macrocirculação (PA, FC) e microcirculação (lactato, excesso de bases) é crucial. A alternativa gabaritada destaca uma nuance fisiopatológica: em sangramentos arteriais, a queda pressórica é abrupta, mas a transição para o metabolismo anaeróbico sistêmico e a consequente elevação do lactato podem apresentar um pequeno hiato temporal enquanto os mecanismos de compensação celular ainda operam.
O lactato é um subproduto do metabolismo anaeróbico que ocorre quando a oferta de oxigênio (DO2) não atende à demanda metabólica tecidual. Em um sangramento arterial súbito e maciço, a queda da pressão arterial (hipotensão) ocorre de forma quase imediata devido à perda rápida de volume circulante e queda do débito cardíaco. No entanto, os tecidos podem ainda utilizar o oxigênio residual e mecanismos de extração aumentada por um curto período antes de migrarem para a glicólise anaeróbica. Além disso, o lactato precisa ser liberado dos tecidos hipoperfundidos para a circulação sistêmica para ser dosado, processo que pode ser retardado pela própria vasoconstrição periférica intensa presente no choque compensado.
A dosagem de hemoglobina (Hb) e hematócrito (Ht) nas primeiras horas de um trauma não reflete a magnitude real da perda sanguínea. Isso ocorre porque o paciente perde sangue total (plasma e células proporcionalmente), mantendo a concentração de hemoglobina inalterada inicialmente. A queda da Hb só se torna evidente após o mecanismo de compensação fisiológica (desvio de fluido intersticial para o compartimento intravascular) ou após a reanimação volêmica com cristaloides, que promovem a hemodiluição. Portanto, um valor de Hb normal no atendimento inicial não exclui hemorragia grave.
O Índice de Choque (IC) é definido pela razão entre a Frequência Cardíaca (FC) e a Pressão Arterial Sistólica (PAS). Valores normais situam-se entre 0,5 e 0,7. No trauma, o IC é um marcador mais sensível de choque oculto e gravidade do que a FC ou a PAS isoladamente. Um IC > 0,9 está fortemente associado à necessidade de transfusão maciça e maior mortalidade. Ele ajuda a identificar pacientes que, apesar de manterem uma PAS 'normal' devido à compensação adrenérgica (choque classe I ou II), já apresentam sinais de instabilidade hemodinâmica iminente.
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