Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2021
Jovem de 20 anos é admitido em sala de emergência após acidente motociclístico há 2 horas. A equipe de resgate relata que houve grande deformidade da motocicleta, e a vítima foi ejetada por aproximadamente 13 metros. Foi resgatado hipotenso, taquicárdico, com alterações de nível de consciência. Durante o transporte foram realizados 1000 ml de ringer lactato, 1g de ácido tranexâmico e 2g de dipirona. É admitido em sala de emergência com os seguintes sinais vitais: pressão arterial: 70x40mmHg, frequência cardíaca: 130bpm, frequência respiratória: 25irpm, saturação periférica de oxigênio em uso de 5 l/min de O2: 90%, temperatura axilar: 35.9ºC. Chega em prancha rígida, sem colar cervical, com vias aéreas pérvias, ausculta reduzida a esquerda, timpânica, sem macicez, com crepitações dolorosas em hemitórax esquerdo; a direita não se nota alteração ao exame físico. Mantém-se com os mesmos sinais vitais de admissão, com bulhas rítmicas, não abafadas, sem sopros, sem estase jugular patológica. Na avaliação neurológica tem abertura ocular ao estímulo doloroso, obedece aos comandos verbais, porém está confuso e agitado. Pupilas isocóricas, fotorreagentes, sem déficits focais. Sem lesões ameaçadoras de vida no restante do exame físico. Na avaliação secundária, queixa-se de dor em hemitórax esquerdo e abdominal, mas não tem sinais de irritação peritoneal. Apresenta equimose em flanco esquerdo grande, não pulsátil. Pelve estável. Sem lesões de extremidades.O provável órgão sólido acometido responsável pelo choque hipovolêmico neste caso é:
Trauma abdominal fechado + choque + equimose flanco esquerdo → alta suspeita de lesão esplênica.
O paciente apresenta choque hipovolêmico persistente após trauma de alta energia, com dor abdominal e equimose em flanco esquerdo (sinal de Kehr ou lesão de baço). A ausculta pulmonar reduzida e timpânica à esquerda sugere pneumotórax, mas o choque é mais provavelmente de origem abdominal, e o baço é o órgão sólido mais frequentemente lesado em traumas abdominais fechados, especialmente com sinais no quadrante superior esquerdo.
O trauma abdominal fechado é uma das principais causas de morbimortalidade em vítimas de acidentes de alta energia, como os motociclísticos. O choque hipovolêmico persistente, apesar da ressuscitação inicial, deve levantar a suspeita de sangramento ativo. A avaliação primária (ABCDE) é crucial para identificar e tratar lesões que ameaçam a vida. Neste caso, a hipotensão persistente (70x40mmHg), taquicardia (130bpm) e alteração do nível de consciência (confuso e agitado) são sinais clássicos de choque hipovolêmico grave. A história de trauma de alta energia e a presença de equimose em flanco esquerdo, juntamente com dor abdominal, apontam fortemente para uma lesão de órgão sólido abdominal. O baço é o órgão sólido mais frequentemente lesado em traumas abdominais fechados, especialmente quando há sinais no quadrante superior esquerdo. Embora o paciente também apresente achados torácicos (ausculta reduzida e timpânica à esquerda, crepitações), o choque refratário é mais comumente atribuído a sangramentos significativos de órgãos sólidos abdominais ou pélvicos. A ausência de sinais de irritação peritoneal não exclui lesão de órgão sólido, pois o sangramento pode ser contido inicialmente ou retroperitoneal. A próxima etapa diagnóstica seria um FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) ou uma tomografia computadorizada, se o paciente estiver estável o suficiente, para confirmar a fonte do sangramento.
Os sinais e sintomas de lesão esplênica incluem dor no quadrante superior esquerdo do abdome, dor referida no ombro esquerdo (sinal de Kehr), hipotensão, taquicardia, e sinais de choque hipovolêmico.
A equimose em flanco esquerdo, como o sinal de Grey Turner (embora mais associado a pancreatite hemorrágica, pode indicar sangramento retroperitoneal ou lesão de órgãos como o baço), é um indicativo de trauma significativo e possível sangramento interno, especialmente em lesões esplênicas.
O Focused Assessment with Sonography for Trauma (FAST) é uma ferramenta rápida e não invasiva para detectar líquido livre (sangue) na cavidade abdominal, incluindo ao redor do baço, auxiliando na identificação de hemorragia interna e na decisão por laparotomia.
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