HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2025
Um paciente tem uma pressão arterial de 70/50 mm Hg e um nível de lactato sérico de 30 mg/100 ml (normal: 6 a 16). Seu débito cardíaco é de 1,9 L/min, e sua pressão venosa central é de 2 cm H20. O diagnóstico mais provável é:
Choque hipovolêmico → Hipotensão + Débito Cardíaco ↓ + Pressão Venosa Central (PVC) ↓ + Lactato ↑.
A combinação de baixo débito cardíaco e baixa pressão venosa central (pré-carga) é a assinatura hemodinâmica do choque hipovolêmico. O lactato elevado confirma a hipoperfusão tecidual e o metabolismo anaeróbio decorrente.
O choque é uma condição de hipoperfusão tecidual sistêmica que leva à disfunção celular. O diagnóstico diferencial entre os tipos de choque (hipovolêmico, cardiogênico, distributivo e obstrutivo) é crucial para o manejo adequado e baseia-se na avaliação clínica e em parâmetros hemodinâmicos. No choque hipovolêmico, a causa primária é a perda de volume intravascular, seja por hemorragia ou perda de fluidos. Isso resulta em uma diminuição do retorno venoso ao coração (pré-carga), o que, pela lei de Frank-Starling, leva a uma queda no débito cardíaco. A pressão venosa central (PVC), que reflete a pressão no átrio direito e a pré-carga do ventrículo direito, estará caracteristicamente baixa. O organismo tenta compensar aumentando a frequência cardíaca e a resistência vascular sistêmica (vasoconstrição periférica) para manter a pressão arterial, mas com a progressão do choque, a hipotensão se instala. A hipoperfusão tecidual força as células a mudarem do metabolismo aeróbio para o anaeróbio, resultando em produção excessiva de lactato e acidose metabólica. O tratamento foca na interrupção da perda de volume e na reposição volêmica imediata para restaurar a pré-carga, o débito cardíaco e a perfusão dos órgãos.
Os achados clássicos são hipotensão arterial, baixo débito cardíaco (DC), baixa pressão venosa central (PVC) ou pressão de oclusão da artéria pulmonar (POAP), e elevada resistência vascular sistêmica (RVS) como mecanismo compensatório.
A prioridade é a reposição volêmica agressiva, geralmente com soluções cristaloides isotônicas (ex: Ringer Lactato ou Soro Fisiológico 0,9%) em bolus, enquanto se busca e controla a causa da perda de volume (hemorragia, desidratação, etc.).
No choque séptico hiperdinâmico (fase inicial), o débito cardíaco costuma estar normal ou aumentado e a resistência vascular sistêmica está muito baixa, resultando em extremidades quentes. No choque hipovolêmico, o DC é baixo, a RVS é alta e as extremidades são frias.
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