PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2021
Uma vítima de ferimento por arma de fogo no abdome apresentou-se no Pronto Socorro. Inicialmente o paciente estava apenas ansioso, mas rapidamente ficou confuso e agitado. O paciente tinha frequência cardíaca de 135 batimentos/minuto, frequência respiratória de 32 incursões/minuto e pressão arterial de 80/45mmHg. A perda aproximada de sangue deste paciente foi de:
FC >120, FR >30, PA ↓, estado mental alterado (confuso/agitado) → Choque Classe III (perda 1500-2000ml).
Os sinais vitais e o estado mental do paciente (FC 135 bpm, FR 32 irpm, PA 80/45 mmHg, confuso/agitado) indicam um choque hipovolêmico Classe III, que corresponde a uma perda sanguínea de 30-40% do volume total, ou seja, aproximadamente 1500-2000 ml em um adulto.
O choque hipovolêmico é uma condição de emergência caracterizada pela perda aguda de volume intravascular, levando à perfusão tecidual inadequada e disfunção orgânica. No contexto de trauma, como ferimento por arma de fogo no abdome, a hemorragia é a causa mais comum. A rápida identificação e classificação do choque são cruciais para um manejo eficaz e para a sobrevida do paciente. A classificação do choque hipovolêmico, frequentemente baseada nas diretrizes do ATLS (Advanced Trauma Life Support), divide-se em quatro classes, correlacionando a perda sanguínea estimada com alterações nos sinais vitais e no estado mental. A Classe I envolve perda de até 15% do volume sanguíneo (até 750ml), com taquicardia mínima. A Classe II (15-30%, 750-1500ml) apresenta taquicardia mais evidente, taquipneia e leve ansiedade. A Classe III (30-40%, 1500-2000ml) é marcada por taquicardia significativa (>120 bpm), hipotensão, taquipneia, débito urinário reduzido e alterações do estado mental (confusão, agitação). A Classe IV (>40%, >2000ml) é um choque grave, com bradicardia ou taquicardia extrema, hipotensão grave, letargia e risco iminente de óbito. No caso apresentado, com FC 135 bpm, FR 32 irpm, PA 80/45 mmHg e estado mental confuso/agitado, o paciente se enquadra na Classe III de choque hipovolêmico. Compreender essa classificação é vital para o residente, pois ela direciona a agressividade da reposição volêmica, a necessidade de transfusão sanguínea e a urgência de controle cirúrgico da hemorragia, sendo um pilar fundamental no atendimento ao paciente traumatizado.
Os principais parâmetros são frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, débito urinário, estado mental e o preenchimento capilar. A combinação desses sinais permite estimar a classe de choque e a perda sanguínea.
No choque hipovolêmico, a hipoperfusão cerebral leva a alterações do estado mental. Pacientes ansiosos indicam choque leve (Classe I/II), enquanto confusão, agitação ou letargia sugerem choque moderado a grave (Classe III/IV), devido à diminuição do fluxo sanguíneo cerebral.
A classificação do choque guia o manejo inicial, determinando a necessidade e o volume de reposição volêmica (cristaloides e/ou sangue), a urgência de intervenções cirúrgicas e a monitorização intensiva, visando restaurar a perfusão tecidual e prevenir a falência de múltiplos órgãos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo