Fisiopatologia do Choque Hemorrágico no DPP

HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 33 anos, sexo feminino, branca, casada, G2P1A0 com idade gestacional de 36 semanas e 5 dias é encaminhada ao pronto atendimento, onde você é o plantonista da clínica médica. Na chegada, paciente apresentava dor abdominal intensa há quatro horas e sangramento vaginal de coloração escurecida há menos de uma hora, sem perda de líquido. Não apresentou caderneta da gestante ou exames complementares realizados durante o pré-natal. Refere realização irregular do mesmo, comparecendo apenas a uma consulta desde o diagnóstico de gravidez. Referiu que durante a gestação, não apresentou nenhuma intercorrência, exceto alteração pressórica na consulta de pré-natal (IG 23 semanas, aproximadamente), entretanto a paciente não refere bem valores pressóricos. Tabagismo iniciado aos 17 anos de idade. Não refere nenhuma outra comorbidade. EXAME FÍSICO: • Geral: Ansiosa e levemente confusa, desidratada 1+/4+, em regular estado geral, hipocorada 3+/4+, anictérica, acianótica, ausência de linfadenomegalia palpável e de lesões de pele ou mucosa, com edema 1+/4+ em membros inferiores, com sudorese em extremidades. • Sinais Vitais: PA 85x55mmHg; FC: 138 bpm; FR: 30 irpm; TAX: 35.6 ºC; SatO2: 95%; • Pulmonar: taquidispnéia e MV+ sem ruídos audíveis. • Cardíaco: taquicárdica, 2BNF sem sopro audível. • Sistema digestório: abdome gravídico, com dor em hipogástrio e tônus uterino aumentado. Abdômen muito doloroso em hipogástrio. • Avaliação ginecológica obstétrica; • Ausculta fetal: 112 bpm; • Altura uterina: 33 cm. • Tônus uterino: hipertonia uterina. • Genitáliaexterna: sangue no óstio vaginal; • Especuloscopia: sangramento moderado de origem uterina, sem coágulos em canal vagina. • Toque Vaginal: colo amolecido e centra, apagado, dilatação de 7 cm e bolsa protrusa. Baseado nos dados clínicos do caso descrito, responda as questões que se seguem: Ao exame físico, a resposta cardiovascular apresentada pela paciente é uma resposta a: \n

Alternativas

  1. A) Aumento da atividade simpática. \n
  2. B) Vasoconstricção venosa. \n
  3. C) Hipoperfusão tecidual. \n
  4. D) Todas as alternativas anteriores estão corretas. \n

Pérola Clínica

Choque Hemorrágico → ↑Simpático (Taquicardia) + Vasoconstrição (Palidez) + Hipoperfusão (Confusão).

Resumo-Chave

A resposta cardiovascular ao choque hipovolêmico envolve ativação simpática reflexa para manter o débito cardíaco, vasoconstrição para redistribuir fluxo e eventual falha na perfusão tecidual.

Contexto Educacional

O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma das principais causas de hemorragia na segunda metade da gestação e representa uma emergência obstétrica de alto risco materno-fetal. A fisiopatologia do choque hemorrágico associado ao DPP é complexa, pois a perda sanguínea pode ser oculta (retroplacentária), levando a uma subestimação da gravidade clínica. A tríade clássica de dor abdominal, hipertonia uterina e sangramento vaginal escuro, associada a fatores de risco como tabagismo e hipertensão (pré-eclâmpsia), deve levantar suspeita imediata. A resposta cardiovascular apresentada pela paciente (taquicardia, hipotensão, confusão) reflete a progressão do choque hipovolêmico. Inicialmente, o corpo utiliza a ativação simpática e a vasoconstrição venosa e arterial para compensar a perda de volume. No entanto, quando a perda excede a capacidade de compensação, instala-se a hipoperfusão tecidual generalizada. Na gestante, a volemia está aumentada em cerca de 40-50%, o que pode mascarar sinais iniciais de choque; portanto, a presença de hipotensão e taquicardia acentuada indica uma perda volêmica maciça, exigindo reposição volêmica imediata e resolução do parto.

Perguntas Frequentes

Como o sistema simpático responde à hemorragia aguda?

Diante de uma perda volêmica aguda, como no descolamento prematuro de placenta (DPP), ocorre uma queda na pressão arterial que é detectada pelos barorreceptores no arco aórtico e seio carotídeo. Isso desencadeia uma resposta simpática imediata, liberando catecolaminas (adrenalina e noradrenalina). O resultado é um aumento da frequência cardíaca (taquicardia) e da contratilidade miocárdica para tentar manter o débito cardíaco. No caso clínico, a frequência cardíaca de 138 bpm é uma evidência clara dessa ativação simpática intensa tentando compensar a volemia reduzida.

Qual o papel da vasoconstrição venosa no choque hipovolêmico?

A vasoconstrição venosa é um mecanismo compensatório crucial e precoce no choque hipovolêmico. Como cerca de 60-70% do volume sanguíneo total reside no sistema venoso (vasos de capacitância), a estimulação simpática causa a contração dessas veias, 'espremendo' o sangue em direção ao coração (aumento do retorno venoso e da pré-carga). Isso ajuda a manter o volume sistólico mesmo diante de perdas externas. Além disso, a vasoconstrição arterial periférica redistribui o fluxo sanguíneo de órgãos não vitais (pele, músculos, território esplâncnico) para órgãos nobres como cérebro e coração.

O que caracteriza a hipoperfusão tecidual no choque grave?

A hipoperfusão tecidual ocorre quando os mecanismos compensatórios (taquicardia e vasoconstrição) não são mais suficientes para garantir a oferta de oxigênio (DO2) adequada às demandas metabólicas dos tecidos. Clinicamente, isso se manifesta por alteração do estado mental (confusão, ansiedade), oligúria, extremidades frias, sudorese e acidose lática. No caso descrito, a paciente já apresenta sinais de choque descompensado, com hipotensão (85x55 mmHg), taquicardia extrema e confusão mental, indicando que a perfusão cerebral e sistêmica está criticamente comprometida pela perda hemorrágica do DPP.

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