HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2025
Paciente vítima de colisão moto x poste dá entrada no Pronto-Socorro referindo dor abdominal. Ao exame físico, apresenta abdômen difusamente doloroso à palpação, FC = 110bpm, FR = 28 irpm e PA = 105 x 80mmHg. Segundo o ATLS, a classificação do choque desse paciente é?
FC 100-120 + PA mantida + FR 20-30 = Choque Classe II (Hemorragia de 15-30%).
O choque classe II é caracterizado por taquicardia e taquipneia leves, mas com a pressão arterial sistólica ainda preservada devido aos mecanismos compensatórios adrenérgicos.
A classificação do choque hemorrágico do ATLS é uma ferramenta essencial para a triagem rápida de pacientes traumatizados. Ela permite estimar a gravidade da perda sanguínea antes mesmo de exames laboratoriais. É vital lembrar que atletas ou pacientes em uso de betabloqueadores podem não apresentar taquicardia proporcional à perda volêmica, exigindo um alto índice de suspeição clínica baseado no mecanismo do trauma.
No choque Classe II, a perda volêmica estimada é de 15% a 30% (750-1500 mL em um adulto de 70kg). Os sinais clínicos incluem: Frequência Cardíaca entre 100 e 120 bpm, Frequência Respiratória entre 20 e 30 irpm, e Pressão Arterial ainda normal. O débito urinário pode estar levemente reduzido (20-30 mL/h) e o paciente pode apresentar ansiedade leve. O tratamento inicial geralmente envolve cristaloides, mas a resposta clínica ditará a necessidade de sangue.
A diferença fundamental reside na Pressão Arterial e no estado mental. No choque Classe III (perda de 30-40%), os mecanismos compensatórios falham em manter o débito cardíaco, resultando em hipotensão (queda da PA sistólica) e taquicardia mais acentuada (>120 bpm). O paciente em Classe III também apresenta alteração óbvia do nível de consciência (confusão mental) e oligúria acentuada. No caso da questão, a PA de 105x80 mmHg é considerada normal, o que exclui a Classe III.
Segundo as diretrizes atuais do ATLS (10ª edição), o manejo inicial do choque hemorrágico deve ser feito com a administração cautelosa de 1 litro de cristaloide isotônico (Ringer Lactato de preferência) aquecido. A ênfase atual é evitar a reanimação volêmica agressiva com grandes volumes de cristaloide, que pode causar coagulopatia dilucional. Se o paciente não responder ao volume inicial ou apresentar sinais de choque grave (Classe III ou IV), deve-se iniciar precocemente a transfusão de hemoderivados.
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