Choque Hipovolêmico no Trauma: Sinais Precoces e Manejo

HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2020

Enunciado

Paciente vítima de acidente de motocicleta, colisão contra poste, apresenta sinais de choque hipovolêmico. Sobre este caso, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) Deve-se iniciar vasopressores imediatamente na ressuscitação associado a solução hidroeletrolítica.
  2. B) Qualquer paciente que está frio ao toque e com taquicardia, deve ser considerado em choque, até prova em contrário.
  3. C) Perda sanguínea maciça produz uma significativa queda do hematócrito ou da concentração de hemoglobina.
  4. D) Deve-se adotar a infusão de cristaloides a 45°C, pois é o tratamento preferido para hipotermia na ressuscitação.

Pérola Clínica

Paciente frio ao toque + taquicardia = choque até prova em contrário.

Resumo-Chave

O choque é uma condição de perfusão tecidual inadequada. Sinais como taquicardia e extremidades frias são indicadores precoces e sensíveis de choque, mesmo antes de uma queda significativa da pressão arterial, e devem levar à investigação imediata da causa e início da ressuscitação.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico é uma condição de emergência caracterizada por uma perfusão tecidual inadequada devido à diminuição do volume intravascular. No contexto de trauma, como um acidente de motocicleta, a principal causa é a perda sanguínea. A rápida identificação e manejo são cruciais para a sobrevida do paciente. A fisiopatologia envolve a ativação de mecanismos compensatórios, como o sistema nervoso simpático, que leva a taquicardia e vasoconstrição periférica, mantendo a pressão arterial por um tempo, mas à custa da perfusão de órgãos não essenciais. A avaliação inicial de um paciente traumatizado em choque deve focar nos sinais clínicos. Taquicardia, extremidades frias e pálidas, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do nível de consciência são indicadores sensíveis de choque, mesmo na ausência de hipotensão. É um erro comum esperar pela queda da pressão arterial, pois isso indica um estágio mais avançado de descompensação. A perda sanguínea maciça pode não se refletir imediatamente em uma queda do hematócrito, pois a hemodiluição leva tempo para ocorrer. O tratamento inicial do choque hipovolêmico no trauma é a reposição volêmica agressiva, preferencialmente com hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma, plaquetas) em casos de hemorragia maciça, ou cristaloides isotônicos enquanto se aguardam os hemoderivados. Vasopressores não são a primeira linha de tratamento, pois podem piorar a perfusão em um cenário de volume insuficiente. O controle da fonte de sangramento é a medida definitiva. A prevenção e tratamento da hipotermia são importantes, mas a infusão de cristaloides a 45°C não é a principal estratégia para hipotermia, que deve ser abordada com aquecimento ativo e passivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais precoces de choque hipovolêmico em pacientes traumatizados?

Sinais precoces incluem taquicardia, extremidades frias e pálidas, tempo de enchimento capilar prolongado, alteração do estado mental e oligúria. A hipotensão é um sinal tardio.

Por que não se deve iniciar vasopressores imediatamente no choque hipovolêmico?

No choque hipovolêmico, a prioridade é a reposição volêmica para restaurar a pré-carga. Vasopressores sem volume adequado podem piorar a perfusão tecidual ao aumentar a pós-carga em um coração com pré-carga insuficiente.

Qual a importância da temperatura corporal na ressuscitação de choque?

A hipotermia é uma complicação grave no choque, especialmente no trauma, pois piora a coagulopatia, a acidose e as arritmias. Manter a normotermia é crucial, mas a infusão de cristaloides a 45°C não é o tratamento preferido para hipotermia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo