UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 51 anos refere dor epigástrica, há 2 dias, com evolução, hoje, para 4 episódios de hematêmese. AP: osteoartrite. Medicações em uso: nimesulida 10 mg 12/12 horas diariamente. EF: escala de coma de Glasgow 13, PA: 80 x 45 mmHg, FC: 114 bpm, presença de livedo reticular em membros inferiores e tempo de enchimento capilar acima de 3 segundos. Gasometria arterial: pO2: 82 mmHg, pCO2: 40 mmHg, SatO2: 98%. Gasometria venosa central: pCO2: 51 mmHg, SatO2: 63%. Em relação a esse caso, é correto afirmar que:
ScvO2 < 70% + GapCO2 > 6 mmHg → Baixo débito cardíaco (neste caso, por hipovolemia grave).
O GapCO2 elevado (> 6 mmHg) indica estase venosa por baixo fluxo, enquanto a ScvO2 reduzida reflete o aumento da extração de oxigênio frente à baixa oferta (DO2).
Este caso clínico ilustra um choque hipovolêmico clássico decorrente de hemorragia digestiva alta (HDA) por provável úlcera péptica (uso crônico de AINE). A paciente apresenta sinais claros de má perfusão: hipotensão, taquicardia, livedo e tempo de enchimento capilar prolongado. A gasometria venosa central é fundamental para guiar a ressuscitação. A interpretação conjunta da ScvO2 e do GapCO2 permite avaliar a adequação do débito cardíaco. No choque hipovolêmico, a redução da pré-carga leva à queda do volume sistólico. O organismo compensa aumentando a extração de O2 (reduzindo a ScvO2) e o fluxo lento favorece o acúmulo de CO2 venoso (aumentando o Gap). O tratamento foca na restauração da volemia e controle do sangramento.
A ScvO2 (Saturação Venosa Central de Oxigênio) abaixo de 70% indica um desequilíbrio entre a oferta (DO2) e o consumo de oxigênio (VO2). Em contextos de choque, sugere que os tecidos estão extraindo mais oxigênio devido a uma oferta insuficiente, que pode ser causada por baixo débito cardíaco, anemia grave ou hipoxemia.
O Gap de CO2 (diferença entre a PCO2 venosa central e a arterial) acima de 6 mmHg é um marcador de fluxo sanguíneo microcirculatório. Ele indica que o fluxo está lento (estase), permitindo o acúmulo de CO2 nos tecidos e no sangue venoso, sendo um sinal indireto de que o débito cardíaco é insuficiente para as demandas metabólicas.
Ambos podem apresentar ScvO2 baixa e Gap de CO2 elevado. A diferenciação depende da clínica (história de sangramento vs. infarto) e de parâmetros adicionais como a pressão venosa central (PVC) ou pressão de oclusão da artéria pulmonar (POAP), que estarão baixas no hipovolemico e altas no cardiogênico.
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