Fisiopatologia do Choque Hipovolêmico: Acidose Láctica

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Homem de 27 anos se envolve em acidente automobilístico. Ele sofre lesão intra-abdominal e\nfratura do fêmur. A PA é 60/40mmHg e o hematócrito é 16%.\n\nQual dentre as alterações fisiológicas abaixo é a MAIS ESPERADA?

Alternativas

  1. A) Acidose láctica.
  2. B) Eosinofilia.
  3. C) Inibição do tônus simpático.
  4. D) Vasodilatação periférica.

Pérola Clínica

Hipotensão + Má perfusão → Metabolismo anaeróbio → ↑ Ácido láctico.

Resumo-Chave

No choque hipovolêmico grave, a oferta de oxigênio (DO2) cai abaixo do consumo (VO2), forçando as células ao metabolismo anaeróbio e gerando acidose láctica.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico hemorrágico é a principal causa de morte evitável no trauma. A redução do volume sistólico leva à queda do débito cardíaco. Inicialmente, mecanismos compensatórios tentam manter a pressão arterial, mas quando a perda volêmica ultrapassa 30-40% (Classe III e IV), a hipotensão se instala.\n\nA transição para o metabolismo anaeróbio marca um ponto crítico na fisiopatologia do choque. A acidose resultante, junto com a hipotermia e a coagulopatia, forma a 'tríade da morte' no trauma. O tratamento foca no controle da hemorragia e na restauração da perfusão, preferencialmente com hemoderivados em vez de grandes volumes de cristaloides.

Perguntas Frequentes

Por que ocorre acidose láctica no choque?

A acidose láctica ocorre devido à hipoperfusão tecidual sistêmica. Com a redução drástica do volume circulante, a entrega de oxigênio às células torna-se insuficiente para manter o metabolismo aeróbio. As células passam a realizar glicólise anaeróbia, cujo subproduto final é o lactato, levando ao acúmulo de íons H+ e consequente acidemia metabólica.

Quais são os mecanismos compensatórios iniciais no choque hipovolêmico?

O corpo tenta compensar a perda de volume através da ativação do sistema nervoso simpático, resultando em taquicardia e vasoconstrição periférica (para redistribuir o sangue para coração e cérebro), e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona para reter sódio e água, tentando manter o débito cardíaco e a pressão arterial média.

Qual a importância do lactato no manejo do trauma?

O lactato sérico e o excesso de bases (base excess) são marcadores indiretos de 'dívida de oxigênio'. Eles são fundamentais para avaliar a gravidade do choque e a resposta à ressuscitação volêmica. O 'clearance' de lactato nas primeiras horas de tratamento é um forte preditor de sobrevida no paciente politraumatizado.

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