PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Homem de 27 anos se envolve em acidente automobilístico. Ele sofre lesão intra-abdominal e fratura do fêmur. A PA é 60/40mmHg e o hematócrito é 16%. É provável que haja um aumento proporcionalmente maior do fluxo sanguíneo para qual dos seguintes órgãos abaixo?
Choque → Vasoconstrição periférica + Autorregulação → ↑ Fluxo proporcional para Coração e Cérebro.
No choque hipovolêmico grave, mecanismos simpáticos promovem vasoconstrição em órgãos não vitais (rins, pele, TGI) para preservar o fluxo em órgãos com alta autorregulação (coração e cérebro).
O choque hipovolêmico, exemplificado por um trauma com hematócrito baixo e hipotensão severa, desencadeia uma resposta neuroendócrina maciça. A liberação de catecolaminas visa manter a perfusão de órgãos vitais. Enquanto a resistência vascular sistêmica aumenta globalmente, os leitos vascular cerebral e coronariano resistem a essa constrição devido à predominância de fatores vasodilatadores locais. Clinicamente, isso se traduz na manutenção da consciência e função cardíaca inicial, enquanto o paciente apresenta sinais de má perfusão periférica. O conhecimento dessa hierarquia de perfusão é fundamental para entender a progressão para a falência de múltiplos órgãos, onde a isquemia prolongada de órgãos 'sacrificados' inicialmente (como o intestino e rins) leva à liberação de mediadores inflamatórios sistêmicos.
O coração possui mecanismos de autorregulação metabólica locais muito eficientes. Quando a pressão de perfusão cai, ocorre vasodilatação das arteríolas coronárias mediada por metabólitos (como adenosina), enquanto o sistema nervoso simpático causa vasoconstrição em outros territórios, resultando em um aumento proporcional do fluxo para o miocárdio em relação ao débito cardíaco total reduzido.
Pele, rins e trato gastrointestinal são os primeiros a sofrer redução de fluxo. A ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e do sistema simpático causa intensa vasoconstrição nessas áreas para desviar o volume sanguíneo para o eixo coração-cérebro, o que explica a oligúria e a palidez cutânea no paciente chocado.
É a capacidade de um órgão manter o fluxo sanguíneo constante apesar de variações na pressão arterial média. No coração e no cérebro, essa faixa de autorregulação é ampla, permitindo que, mesmo em estados de hipotensão severa (como PA 60/40 mmHg), esses órgãos recebam uma fração maior do débito cardíaco disponível comparado a órgãos como a tireoide ou rins.
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