FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Paciente de 32 anos é vítima de acidente motociclístico há ± 1 hora. É levado pelo SAMU para um centro de trauma. Na admissão, o paciente estava com rebaixamento do nível de consciência e a aferição dos sinais vitais revelaram: pressão arterial de 120x90 mmHg, frequência cardíaca de 108bpm e frequência respiratória de 22irpm. Uma gasometria arterial foi rapidamente colhida da artéria radial mostrando BE (Base Excess) de -8mEq/L. Diante desses dados clínicos e das novas recomendações do protocolo mundial para o atendimento inicial de pacientes politraumatizados chamado Advanced Trauma Life Support (Suporte Avançado de Vida em Trauma, ATLS, 2025), qual a magnitude da perda volêmica desse paciente e qual a probabilidade de cirurgia para ele?
Base Excess (BE) entre -6 e -10 mEq/L = Choque Classe III (Moderado) → Provável cirurgia e sangue.
O ATLS utiliza o Base Excess (BE) como um marcador de gravidade do choque. Um BE de -8 mEq/L indica choque moderado (Classe III), onde a necessidade de intervenção cirúrgica e transfusão é alta.
A evolução do ATLS enfatiza que a frequência cardíaca e a pressão arterial podem ser indicadores tardios ou pouco confiáveis de choque em pacientes jovens ou atletas. Por isso, a introdução do déficit de bases (Base Excess) e do lactato como critérios diagnósticos trouxe maior precisão à avaliação da dívida de oxigênio tecidual. O choque Classe III representa um ponto de inflexão crítico onde os mecanismos compensatórios (como vasoconstrição periférica e taquicardia) começam a falhar em manter a perfusão de órgãos vitais. A probabilidade de cirurgia é alta porque, estatisticamente, perdas volêmicas dessa magnitude no trauma contuso ou penetrante raramente cessam sem intervenção mecânica ou cirúrgica direta.
O ATLS utiliza o Base Excess (BE) da gasometria arterial para estratificar a gravidade da perda volêmica. Classe I (Leve): BE entre 0 e -2 mEq/L. Classe II (Leve/Moderada): BE entre -2 e -6 mEq/L. Classe III (Moderada): BE entre -6 e -10 mEq/L. Classe IV (Grave): BE inferior a -10 mEq/L. No caso do paciente com BE de -8 mEq/L, ele se enquadra na Classe III, o que indica uma perda volêmica significativa (aproximadamente 15-30% ou mais em revisões recentes) e alta probabilidade de necessidade de hemoderivados e controle cirúrgico da fonte de sangramento.
No choque Classe III (Moderado), o paciente geralmente apresenta taquicardia acentuada (FC > 100-120 bpm), taquipneia (FR 22-30 irpm) e uma queda na pressão arterial sistólica (embora em alguns casos possa estar no limite inferior da normalidade). Há uma alteração clara do estado mental (ansiedade, confusão ou rebaixamento) e o débito urinário está reduzido. O déficit de bases (BE) entre -6 e -10 mEq/L é o marcador laboratorial confirmatório da hipoperfusão tecidual global.
A conduta baseia-se no controle da hemorragia (Stop the Bleed) e na ressuscitação volêmica balanceada. Deve-se iniciar a administração de cristaloides aquecidos (limitado a 1L) e, precocemente, considerar a administração de sangue e componentes (plasma, plaquetas) na proporção 1:1:1 se houver instabilidade. A identificação da fonte de sangramento (tórax, abdome, pelve, ossos longos ou retroperitônio) é prioritária, frequentemente exigindo intervenção cirúrgica imediata ou angioembolização.
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