SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Uma mulher de vinte anos de idade foi levada ao pronto-socorro após ser atropelada por um ônibus. Foi intubada, no local, pela equipe de atendimento pré-hospitalar, por rebaixamento do nível de consciência. Na avaliação inicial, constatou-se que a cânula orotraqueal estava adequada e foi colocado o colar cervical. Seu tórax expandia bilateralmente e a ausculta era normal (murmúrios vesiculares presentes bilateralmente). Os pulsos periféricos não eram palpáveis e o femoral tinha uma frequência de 140 bpm, fino e rápido. A paciente estava descorada e muito mal perfundida (tempo de enchimento capilar maior que 3 segundos). Havia fratura com desvio da perna e da coxa direitas. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta as prováveis fontes para o choque da paciente.
Choque hipovolêmico pós-trauma com tórax normal → buscar sangramento em abdome, pelve, ossos longos e retroperitônio.
Em um paciente traumatizado em choque hipovolêmico com tórax e vias aéreas controladas, as principais fontes de sangramento oculto a serem investigadas são o abdome, a pelve, os ossos longos (especialmente fêmur) e o retroperitônio. O crânio raramente causa choque hipovolêmico isolado em adultos.
O choque hipovolêmico é a principal causa de morte evitável em pacientes traumatizados. A identificação rápida e o controle da fonte de sangramento são cruciais. A avaliação inicial no trauma segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), que inclui a busca ativa por sangramento nas "cinco cavidades" ou "cinco locais" onde grandes volumes de sangue podem ser perdidos: tórax, abdome, pelve, retroperitônio e ossos longos. No caso apresentado, a paciente está em choque (pulsos periféricos não palpáveis, taquicardia, má perfusão) e o tórax foi descartado como fonte de sangramento significativo (expansão bilateral, ausculta normal). O crânio, embora possa ter lesões, raramente causa choque hipovolêmico em adultos. Portanto, as fontes mais prováveis de sangramento são o abdome (hemoperitônio), a pelve (fraturas pélvicas com sangramento retroperitoneal) e os ossos longos (fraturas de fêmur e tíbia, que podem sangrar profusamente). O manejo inclui reposição volêmica agressiva com cristaloides e hemoderivados, além da identificação e controle definitivo da hemorragia. A estabilização de fraturas de ossos longos e pelve é fundamental para reduzir a perda sanguínea e a dor. A investigação do abdome e pelve pode ser feita com FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) e radiografias.
As "cinco cavidades" são tórax, abdome, pelve, retroperitônio e ossos longos (especialmente fêmur). O crânio raramente causa choque hipovolêmico em adultos.
O volume sanguíneo intracraniano é limitado, e o sangramento dentro do crânio geralmente causa aumento da pressão intracraniana e herniação antes de levar a choque hipovolêmico significativo em adultos.
Fraturas de fêmur podem levar à perda de até 1.500 mL de sangue, e fraturas de pelve podem causar sangramento maciço, com perdas sanguíneas de 2.000 a 5.000 mL, devido à rica vascularização da região.
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