FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025
Em relação ao choque hipovolêmico no paciente traumatizado, além da reposição volêmica com cristaloides, o uso de hemoderivados tipo específico ou tipo O negativo tem indicação no:
Hemoderivados no trauma → Indicados precocemente no Choque Classe 3 e 4.
O ATLS 10ª edição preconiza o uso de sangue precocemente em perdas >30% (Classe 3) para evitar a tríade da morte, priorizando a ressuscitação hemostática sobre o excesso de cristaloides.
A classificação do choque hemorrágico do ATLS é uma ferramenta vital para estimar a perda volêmica inicial e guiar a terapia. O choque é dividido em quatro classes baseadas em parâmetros fisiológicos. Enquanto as classes 1 e 2 podem ser manejadas inicialmente com cristaloides, as classes 3 e 4 representam hemorragia grave com risco iminente de morte. A estratégia moderna foca na 'Ressuscitação de Controle de Danos', que prioriza o uso de sangue e componentes (plasma, plaquetas) em proporções balanceadas (1:1:1) em vez de grandes volumes de soro. Isso visa manter a pressão arterial em níveis de 'hipotensão permissiva' até que o sangramento seja controlado cirurgicamente, evitando o deslocamento de coágulos precoces e a diluição de fatores de coagulação.
O choque classe 3 representa uma perda volêmica de 30% a 40% (aproximadamente 1500-2000 ml em um adulto de 70kg). Clinicamente, o paciente apresenta taquicardia acentuada (>120 bpm), taquipneia (30-40 irpm), queda da pressão arterial sistólica, diminuição da pressão de pulso e alteração óbvia do estado mental (confusão). O débito urinário cai para 5-15 ml/h. Nesta fase, a reposição apenas com cristaloides é insuficiente, sendo mandatória a introdução de hemoderivados para restaurar a capacidade de transporte de oxigênio e prevenir a coagulopatia.
O sangue tipo O negativo (doador universal) é indicado em situações de emergência extrema (choque classe 4 ou exanguinação) onde não há tempo para tipagem sanguínea. O sangue tipo específico (com prova cruzada rápida ou apenas tipagem ABO/Rh) é preferível assim que disponível, geralmente em 10-15 minutos. A indicação surge no choque classe 3 e 4, onde a prioridade é a ressuscitação hemostática. O objetivo é manter a perfusão tecidual sem exacerbar a coagulopatia dilucional causada pelo excesso de cristaloides.
Houve uma mudança de paradigma: de uma reposição agressiva com cristaloides (antigamente 2 litros) para uma abordagem mais restritiva. Atualmente, recomenda-se iniciar com 1 litro de cristaloide isotônico aquecido. Se o paciente permanecer instável ou for classificado inicialmente como choque classe 3 ou 4, deve-se migrar rapidamente para hemoderivados. O uso excessivo de cristaloides está associado à 'tríade da morte' (acidose, hipotermia e coagulopatia) e ao aumento da mortalidade no trauma grave.
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