Choque Hipovolêmico: Manejo Inicial em Vômitos Graves

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 60 anos, portador de tumor de antro obstrutivo, apresentou oito episódios de vômitos nas últimas 12h, cursando com agitação, palidez cutânea, sudorese profusa. Não há registro de micção nas últimas 18h. Os sinais aferidos são FR 24ipm, saturação de O2 90%, FC=110bpm e PA 86x58mmHg. Os exames laboratoriais solicitados apresentam os seguintes resultados: leucócitos 13600/mm³ com 90% e segmentado; hemoglobina 10g/dl e hematócrito 29%; gasometria arterial com PH 7.29, PaCO2= 29mmHg, PaO2= 68mmHg, bicarbonato 16mEq/l. BE -7, SO2=92%. Diante do exposto, a conduta inicial mais adequada é

Alternativas

  1. A) aplicar ringer com lactato 500ml EV em 2h.
  2. B) iniciar noradrenalina em BIC.
  3. C) realizar a reposição e usar bicarbonato de sódio 8,4% 60ml EV.
  4. D) efetuar o posicionamento de sonda nasogástrica.
  5. E) proceder à reposição de SF0,9% 1000ml EV em 1h.

Pérola Clínica

Choque hipovolêmico por vômitos + acidose metabólica → reposição volêmica agressiva com cristaloides.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais claros de choque (hipotensão, taquicardia, agitação, anúria) e desidratação grave devido aos vômitos, com acidose metabólica. A prioridade é a reposição volêmica rápida com cristaloides para restaurar a perfusão tecidual e corrigir o choque.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico é uma emergência médica caracterizada pela perda significativa de volume intravascular, levando à perfusão tecidual inadequada e disfunção orgânica. Em pacientes com tumor obstrutivo gástrico e vômitos persistentes, a perda de fluidos e eletrólitos pode ser rápida e severa, precipitando o choque. A identificação precoce dos sinais de choque, como hipotensão, taquicardia, taquipneia e sinais de hipoperfusão periférica, é crucial. A avaliação laboratorial, incluindo hemograma (para avaliar hemoconcentração, embora aqui a Hb esteja baixa, indicando possível sangramento crônico ou anemia prévia, mas o Ht ainda reflete a desidratação relativa) e gasometria arterial (revelando acidose metabólica, comum na hipoperfusão), complementa o quadro clínico. A acidose metabólica com ânion gap normal pode ser vista na perda de bicarbonato pelos vômitos ou diarreia, ou com ânion gap elevado na hipoperfusão tecidual com produção de lactato. A conduta inicial e mais importante no choque hipovolêmico é a reposição volêmica agressiva com cristaloides isotônicos, como Ringer Lactato ou soro fisiológico 0,9%. O objetivo é restaurar rapidamente o volume intravascular para melhorar a perfusão e oxigenação tecidual. Vasopressores só devem ser considerados após a otimização da volemia, pois não corrigem a causa subjacente da hipovolemia e podem agravar a isquemia em um leito vascular já contraído.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico em um paciente com vômitos?

Hipotensão, taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado, agitação ou letargia, pele fria e pegajosa, e oligúria/anúria são sinais comuns de choque hipovolêmico.

Por que a reposição volêmica é a conduta inicial mais adequada no choque hipovolêmico?

A reposição volêmica visa restaurar o volume intravascular perdido, melhorando a pré-carga cardíaca, o débito cardíaco e a perfusão tecidual, sendo fundamental para reverter o choque.

Qual o papel da gasometria arterial no manejo do choque por vômitos?

A gasometria arterial revela distúrbios ácido-base, como a acidose metabólica presente neste caso, que pode ser agravada pela hipoperfusão e indica a gravidade do quadro clínico.

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