Choque Hipovolêmico: Manejo Inicial e Fluidoterapia

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente do sexo masculino, 40 anos, foi atendido no setor de emergência após politrauma em acidente automobilístico. Apresentava pressão arterial de 80 x 50 mmHg, FC=140 bpm e sinais de hipoperfusão periférica. Após fluidoterapia agressiva, houve melhora parcial do quadro, mas o paciente evoluiu com oligúria (débito urinário < 0,5 ml/kg/h). Sobre a resposta endócrino-metabólica ao trauma e o manejo inicial do choque, assinale a opção correta:

Alternativas

  1. A) A resposta endócrino-metabólica é mediada principalmente pela produção de insulina, que aumenta nos primeiros momentos do trauma.
  2. B) O uso de diuréticos de alça de rotina é indicado para prevenir insuficiência renal no paciente hipovolêmico.
  3. C) A reposição com soluções hipertônicas (NaCI 3%) deve ser a primeira escolha em qualquer tipo de choque.
  4. D) No choque hipovolêmico, o uso de cristaloides isotônicos em bolus e avaliação frequente dos parâmetros hemodinâmicos e diurese são essenciais.

Pérola Clínica

Choque hipovolêmico → fluidoterapia agressiva com cristaloides isotônicos em bolus, monitorando resposta.

Resumo-Chave

No choque hipovolêmico, a prioridade é a rápida reposição volêmica com cristaloides isotônicos para restaurar a perfusão tecidual. A monitorização contínua dos parâmetros hemodinâmicos e do débito urinário é crucial para guiar a fluidoterapia e avaliar a resposta ao tratamento.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico é uma condição de emergência caracterizada pela perda aguda de volume intravascular, levando à perfusão tecidual inadequada e disfunção orgânica. É uma das principais causas de mortalidade em pacientes com trauma, especialmente em acidentes automobilísticos, devido à hemorragia. A rápida identificação e manejo são cruciais para a sobrevivência do paciente, e o conhecimento da resposta endócrino-metabólica ao trauma é fundamental para entender as alterações fisiológicas. A fisiopatologia do choque hipovolêmico envolve a diminuição do retorno venoso, do débito cardíaco e da pressão arterial, ativando mecanismos compensatórios como a liberação de catecolaminas para manter a perfusão de órgãos vitais. A resposta endócrino-metabólica ao trauma é complexa, com liberação de hormônios do estresse que promovem a hiperglicemia e o catabolismo. O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais de hipoperfusão (hipotensão, taquicardia, oligúria, alteração do nível de consciência) e na história de perda volêmica. O manejo inicial do choque hipovolêmico, conforme preconizado pelo ATLS (Advanced Trauma Life Support), prioriza a reposição volêmica agressiva com cristaloides isotônicos (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) em bolus, geralmente 1-2 litros em adultos, com reavaliação contínua da resposta. A monitorização da pressão arterial, frequência cardíaca, débito urinário e nível de consciência é essencial para guiar a fluidoterapia. O uso de diuréticos é contraindicado na fase inicial, pois agrava a hipovolemia. Em casos de hemorragia maciça, a transfusão de hemoderivados é indicada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de choque hipovolêmico?

Os sinais clínicos de choque hipovolêmico incluem hipotensão (PA < 90/60 mmHg), taquicardia (FC > 100 bpm), taquipneia, pele fria e pegajosa, tempo de enchimento capilar prolongado (> 2 segundos), alteração do estado mental e oligúria.

Por que cristaloides isotônicos são a primeira escolha na reanimação volêmica do choque hipovolêmico?

Cristaloides isotônicos, como o soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato, são a primeira escolha porque são eficazes na expansão do volume intravascular, são amplamente disponíveis, de baixo custo e têm um perfil de segurança favorável. Eles repõem tanto o volume intravascular quanto o intersticial.

Como a resposta endócrino-metabólica ao trauma afeta o paciente em choque?

A resposta endócrino-metabólica ao trauma é caracterizada por um aumento na liberação de catecolaminas, cortisol, glucagon e hormônio do crescimento, e uma diminuição na insulina. Isso leva a um estado hipermetabólico, hiperglicemia e catabolismo proteico, que visa mobilizar substratos energéticos, mas pode ser deletério se prolongado.

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