Choque Hipovolêmico no Trauma: Classificação e Manejo Inicial

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 42 anos, vítima de capotamento de automóvel, dá entrada no pronto socorro trazido pelo Corpo de Bombeiros. Em uso de colar cervical e imobilizada em prancha rígida, apresenta-se agitada. Vias aéreas estão pérvias, ausculta pulmonar normal, frequência respiratória de 28 ipm, pulso de 132bpm, pressão arterial 80x50 mmHg, dor abdominal intensa e palidez cutânea. FAST realizado na sala de urgência evidenciou líquido livre na cavidade abdominal. Foi acionado cirurgião de plantão para possível laparotomia e iniciadas medidas de suporte clínico. No caso em questão, qual o grau de choque hipovolêmico e as medidas mais indicadas?

Alternativas

  1. A) Choque grau III; infusão de cristaloide e transfusão de concentrado de hemácias.
  2. B) Choque grau V; transfusão de plasma e concentrado de hemácias maciçamente.
  3. C) Choque grau II; infusão de cristaloide e transfusão de concentrados de hemácias.
  4. D) Choque grau IV; transfusão de concentrado de hemácias imediatamente.

Pérola Clínica

Trauma + PA 80x50 + FC 132 + Agitação + FAST positivo → Choque hipovolêmico Grau III = Cristaloide + Hemácias.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais clássicos de choque hipovolêmico grave (hipotensão, taquicardia, agitação, palidez) com evidência de sangramento interno (FAST positivo). A classificação do choque hipovolêmico pelo ATLS indica Grau III para essa apresentação. A conduta inicial envolve reanimação volêmica agressiva com cristaloides e transfusão de concentrado de hemácias, além da preparação para controle cirúrgico da hemorragia.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico é uma das principais causas de mortalidade em pacientes traumatizados, sendo crucial seu reconhecimento e manejo rápidos. Ele resulta da perda significativa de volume sanguíneo ou fluidos, levando a uma perfusão tecidual inadequada. A classificação do choque, conforme o ATLS (Advanced Trauma Life Support), baseia-se em parâmetros fisiológicos que refletem o grau de perda volêmica e a resposta compensatória do organismo. A paciente do caso apresenta sinais de choque hipovolêmico Grau III: taquicardia (>120 bpm), hipotensão (PA 80x50 mmHg), taquipneia (28 ipm), agitação e palidez, com evidência de sangramento intra-abdominal (FAST positivo). A fisiopatologia envolve a diminuição do retorno venoso, do débito cardíaco e da perfusão tecidual, ativando mecanismos compensatórios como a vasoconstrição periférica e o aumento da frequência cardíaca. A conduta inicial no choque hipovolêmico por trauma inclui o controle da via aérea e respiração, seguido pela reanimação volêmica agressiva. Inicialmente, são administrados cristaloides isotônicos (ex: soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato). No entanto, em choques graves (Grau III ou IV) com sangramento ativo e/ou falha na resposta aos cristaloides, a transfusão de concentrado de hemácias é imperativa para restaurar a capacidade de transporte de oxigênio e estabilizar o paciente, muitas vezes em conjunto com o controle cirúrgico da hemorragia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar o choque hipovolêmico segundo o ATLS?

O ATLS classifica o choque em quatro graus com base na perda volêmica estimada, frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, débito urinário e estado mental. O Grau III, por exemplo, envolve perda de 30-40% do volume sanguíneo, taquicardia >120 bpm, hipotensão e alteração do estado mental.

Qual a importância do exame FAST no manejo do trauma abdominal?

O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é um exame rápido e não invasivo que detecta líquido livre na cavidade abdominal (e pericárdio/pleura), indicando sangramento interno. É crucial para identificar pacientes que necessitam de laparotomia exploratória de emergência.

Quando a transfusão de concentrado de hemácias é indicada no choque hipovolêmico?

A transfusão de concentrado de hemácias é indicada em pacientes com choque hipovolêmico grave (Grau III ou IV) que não respondem adequadamente à infusão inicial de cristaloides, ou quando há evidência de sangramento maciço e contínuo, visando restaurar a capacidade de transporte de oxigênio.

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