UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2026
Homem de 42 anos, vítima de colisão carro–moto a 80 km/h, chega consciente (Escala de Coma de Glasgow 15), pálido e sudoreico. Sinais vitais: FC 150 bpm, PA 78/46 mmHg, FR 28 irpm, SatO2 94% em O2. FAST negativo em todos os quadrantes; Rx de pelve mostra fratura em “livro aberto” (diástase sacroilíaca). Após 500 mL de cristalóide aquecido, mantém choque. Centro com sala de trauma, ortopedia de plantão e hemodinâmica não imediata (intervencionista chega em 90 min). Qual a próxima conduta imediata mais adequada?
Choque hemorrágico + fratura pélvica "livro aberto" → estabilização pélvica (cinta, fixador) + empacotamento + ressuscitação hemostática.
Em trauma pélvico com choque hemorrágico e fratura instável (ex: "livro aberto"), a prioridade é o controle rápido da hemorragia. Isso envolve a estabilização mecânica da pelve (cinta pélvica, fixação externa), empacotamento pré-peritoneal para tamponamento e ressuscitação hemostática agressiva, visando a correção da coagulopatia e controle do sangramento.
O trauma pélvico com choque hemorrágico é uma emergência grave com alta mortalidade. A fratura em "livro aberto" (diástase sacroilíaca) indica uma lesão instável do anel pélvico, que pode levar a sangramento maciço de vasos venosos, arteriais e da superfície óssea. A conduta inicial, conforme o ATLS, foca na ressuscitação e no controle rápido da hemorragia. A estabilização mecânica da pelve, seja com uma cinta pélvica ou fixador externo, é crucial para reduzir o volume do anel pélvico e tamponar o sangramento. Em pacientes com choque refratário, o empacotamento pré-peritoneal é uma técnica eficaz para controlar o sangramento venoso e ósseo. A ressuscitação hemostática, com uso precoce de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas) e agentes antifibrinolíticos (ácido tranexâmico), é fundamental para corrigir a coagulopatia induzida pelo trauma e pelo choque. Embora a angioembolização seja uma ferramenta valiosa para sangramentos arteriais, ela geralmente é considerada após as medidas de controle mecânico e empacotamento, especialmente em pacientes instáveis onde o tempo é crítico e a disponibilidade do radiologista intervencionista pode ser um fator limitante. A laparotomia exploradora é menos provável de controlar o sangramento pélvico direto, a menos que haja suspeita de lesão intra-abdominal concomitante.
A cinta pélvica reduz o volume do anel pélvico, tamponando o sangramento venoso e arterial de baixo fluxo, e estabiliza a fratura, diminuindo a perda sanguínea.
É a colocação de compressas cirúrgicas no espaço pré-peritoneal para tamponar diretamente o sangramento de origem venosa ou óssea da pelve, indicado em choque hemorrágico refratário à estabilização pélvica.
A angioembolização é indicada para controle de sangramento arterial ativo, geralmente após estabilização mecânica e empacotamento, ou como primeira linha se o paciente estiver hemodinamicamente estável e o sangramento arterial for confirmado.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo