Choque Hemorrágico no Trauma: Protocolo de Transfusão Maciça

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020

Enunciado

Em relação ao choque no paciente politraumatizado, é correto afirmar.

Alternativas

  1. A) O uso de fator VII ativado recombinante está contraindicado como parte do protocolo de transfusão maciça.
  2. B) No choque hemorrágico classe I, segundo a classificação do ATLS em sua 10a edição, a única alteração perceptível é a taquicardia.
  3. C) O acesso intraósseo deve ser utilizado somente em crianças e, segundo o ATLS em sua 10a edição, é a terceira opção preferencial neste grupo de pacientes.
  4. D) Em protocolos de transfusão maciça, o uso precoce de plasma e plaquetas em uma proporção ao concentrado de hemácias de 1:1:1 mostrou diminuição na mortalidade.
  5. E) O uso de ácido tranexâmico mostrou-se ineficaz em pacientes politraumatizados com choque hemorrágico quando utilizado nas primeiras 3 horas do evento, segundo o estudo CRASH II (The Lancet, 2010).

Pérola Clínica

Choque hemorrágico grave → transfusão maciça 1:1:1 (CH:Plasma:Plaquetas) ↓ mortalidade.

Resumo-Chave

Em pacientes politraumatizados com choque hemorrágico grave, a transfusão maciça com proporções balanceadas de concentrado de hemácias, plasma e plaquetas (1:1:1) demonstrou reduzir a mortalidade, conforme evidências recentes e diretrizes como o ATLS.

Contexto Educacional

O choque no paciente politraumatizado é uma das principais causas de mortalidade e morbidade. O choque hemorrágico é o tipo mais comum e grave, exigindo reconhecimento rápido e manejo agressivo para otimizar os resultados. As diretrizes do Advanced Trauma Life Support (ATLS) são fundamentais para padronizar a abordagem inicial. A coagulopatia induzida pelo trauma é uma complicação precoce e letal, exacerbada pela hipotermia, acidose e hemodiluição. Para combatê-la, os protocolos de transfusão maciça evoluíram. Atualmente, a evidência suporta o uso precoce e balanceado de concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas em uma proporção de 1:1:1, o que demonstrou diminuir a mortalidade em pacientes com sangramento maciço. Outros pontos cruciais no manejo incluem o uso do ácido tranexâmico nas primeiras 3 horas do trauma para reduzir a mortalidade por sangramento, e o acesso intraósseo como uma via rápida e eficaz para administração de fluidos e medicamentos, especialmente em situações de dificuldade de acesso venoso periférico, sendo uma opção preferencial em adultos e crianças. O fator VII ativado recombinante, por outro lado, não é recomendado como parte rotineira dos protocolos de transfusão maciça devido à falta de evidências de benefício na mortalidade e risco de eventos trombóticos.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do protocolo de transfusão maciça 1:1:1 no trauma?

O protocolo 1:1:1 (concentrado de hemácias:plasma:plaquetas) é crucial para corrigir a coagulopatia induzida pelo trauma e pela hemorragia, que é um fator significativo de mortalidade. Ele visa restaurar a hemostasia de forma mais fisiológica.

Quando o ácido tranexâmico deve ser utilizado em pacientes politraumatizados?

O ácido tranexâmico é recomendado para pacientes com trauma e sangramento significativo, ou risco de sangramento, se administrado nas primeiras 3 horas do evento, conforme evidenciado pelo estudo CRASH-2, para reduzir a mortalidade por sangramento.

Quais são as classes de choque hemorrágico segundo o ATLS e suas características?

O ATLS classifica o choque hemorrágico em quatro classes, baseadas na perda volêmica, frequência cardíaca, pressão arterial, pressão de pulso, frequência respiratória e estado mental. A taquicardia é o primeiro sinal perceptível, mas outras alterações como hipotensão e alteração do estado mental surgem em classes mais avançadas.

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