Choque Hemorrágico e Hipotermia no Trauma: Manejo Crítico

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2024

Enunciado

Um rapaz de 18 anos, politraumatizado, vítima de acidente automobilístico frontal, dá entrada no pronto-socorro entubado, apresentando os seguintes dados vitais: FC = 128bpm, PA = 90x60mmHg, escala de Glasgow = 5 e temperatura = 34°C. Apresenta diminuição do murmúrio vesicular à direita e líquido livre na ultrassonografia abdominal. É submetido a drenagem fechada de tórax à direita com saída de ar e de cerca de 300mL de sangue. Com relação a possíveis condutas para este paciente, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) É necessária a realização de uma tomografia de crânio neste momento para descartar lesões expansivas intracranianas.
  2. B) Uma tomografia de abdome pode diagnosticar a lesão intra-abdominal e permitir o tratamento não operatório desse paciente.
  3. C) Por apresentar hipotermia e choque hemorrágico, esse paciente pode não responder à reposição volêmica e pode desenvolver ou piorar a coagulopatia.
  4. D) A prioridade nesse paciente é a reanimação de controle de danos, que envolve a infusão continuada de solução cristaloide até a normalização dos dados vitais.

Pérola Clínica

Politrauma + choque + hipotermia → Tríade letal (acidose, hipotermia, coagulopatia) = pior prognóstico, refratariedade à reposição.

Resumo-Chave

A hipotermia é um componente da tríade letal do trauma (junto com acidose e coagulopatia), que agrava o choque hemorrágico, prejudica a coagulação e a resposta à reposição volêmica, aumentando a mortalidade.

Contexto Educacional

O manejo do paciente politraumatizado em choque hemorrágico é um dos maiores desafios na medicina de emergência. A tríade letal do trauma, composta por hipotermia, acidose metabólica e coagulopatia, é um ciclo vicioso que agrava o prognóstico e aumenta significativamente a mortalidade. Reconhecer e intervir precocemente nesses componentes é crucial para a sobrevida do paciente. A hipotermia, em particular, é um fator de risco independente para piora da coagulopatia e da acidose. Temperaturas corporais abaixo de 35°C afetam diretamente a função plaquetária e a atividade dos fatores de coagulação, além de diminuir o metabolismo hepático e renal, prejudicando a eliminação de ácidos e a resposta aos medicamentos. A reposição volêmica excessiva com fluidos frios pode exacerbar a hipotermia e a coagulopatia dilucional. O tratamento envolve a reanimação de controle de danos, que prioriza o controle da hemorragia, a correção da coagulopatia com hemoderivados (plasma, plaquetas, crioprecipitado) e a prevenção/tratamento da hipotermia (aquecimento ativo). A infusão de cristaloides deve ser judiciosa, visando uma pressão arterial permissiva até o controle cirúrgico da fonte de sangramento, para evitar a diluição dos fatores de coagulação e a piora da tríade letal.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes da tríade letal do trauma?

A tríade letal do trauma é composta por hipotermia, acidose metabólica e coagulopatia. Esses três fatores se interligam e se retroalimentam, agravando o quadro do paciente politraumatizado.

Por que a hipotermia é perigosa no choque hemorrágico?

A hipotermia prejudica a cascata de coagulação, inibindo enzimas e plaquetas, e aumenta a acidose metabólica, piorando a coagulopatia e a resposta à reposição volêmica, elevando a mortalidade.

Qual o papel da reanimação de controle de danos no politrauma?

A reanimação de controle de danos visa controlar a hemorragia e restaurar a perfusão tecidual com reposição volêmica restrita e precoce correção da coagulopatia, evitando a tríade letal e a sobrecarga de fluidos.

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