SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2022
Jovem do sexo masculino deu entrada no setor de emergência após 40 minutos do acidente, (em que sua moto chocou-se com um poste) levado pela equipe de resgate, com colar e prancha, relato de infusão de 1 L de cristaloide no trajeto e PA 90x60 mmHg ao final do transporte. Na sala de trauma:A – Conversando, apresenta SatO2 92%.B – Sem alterações.C – PA 80x50 mmHg; FC 120 bpm; FAST positivo para líquido intra-abdominal.D – Glasgow 15.E - Equimose em flanco direito.Nesse caso, qual é a melhor conduta, na sala de trauma, após a indicação de laparotomia?
Trauma abdominal com choque hemorrágico e FAST positivo → Transfusão maciça (CH, PFC, Plaquetas) + Ácido Tranexâmico.
O paciente apresenta sinais de choque hemorrágico grave (PA 80x50, FC 120, FAST positivo) após trauma. A conduta inicial, após indicação de laparotomia, é a reanimação com produtos sanguíneos na proporção 1:1:1 (CH:PFC:Plaquetas) e uso de ácido tranexâmico para controle da hemorragia e prevenção da coagulopatia induzida por trauma.
O manejo do trauma grave, especialmente o choque hemorrágico, é um dos pilares da medicina de emergência. Pacientes com trauma abdominal fechado e instabilidade hemodinâmica, como o descrito, com FAST positivo para líquido livre, têm alta probabilidade de sangramento intra-abdominal significativo, necessitando de laparotomia exploradora de emergência. A reanimação volêmica é crucial, mas a estratégia deve ser guiada pela etiologia do choque. No choque hemorrágico, a prioridade é controlar a fonte do sangramento e repor o volume perdido com produtos sanguíneos. A transfusão maciça, seguindo protocolos de proporção (geralmente 1:1:1 de concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas), visa corrigir a tríade letal do trauma (acidose, hipotermia e coagulopatia). O ácido tranexâmico deve ser administrado precocemente para inibir a fibrinólise e melhorar a sobrevida. A infusão excessiva de cristaloides deve ser evitada, pois pode agravar a coagulopatia dilucional, a hipotermia e a acidose, além de não transportar oxigênio. A conduta correta envolve a rápida identificação do choque hemorrágico, a indicação de laparotomia e a reanimação agressiva com hemoderivados e ácido tranexâmico, enquanto se prepara para o controle cirúrgico definitivo do sangramento.
A transfusão maciça é indicada em pacientes com choque hemorrágico grave e evidência de sangramento contínuo, geralmente definida pela necessidade de ≥10 unidades de concentrado de hemácias em 24 horas ou ≥3 unidades em 1 hora, ou em protocolos de trauma com escores de risco elevados.
O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico que reduz a mortalidade por hemorragia em pacientes traumatizados, especialmente se administrado nas primeiras 3 horas após o trauma, ao inibir a quebra do coágulo sanguíneo.
A reposição excessiva de cristaloides em choque hemorrágico grave pode diluir os fatores de coagulação, agravar a hipotermia e a acidose, e aumentar a pressão hidrostática, o que pode piorar o sangramento. A prioridade é o controle da hemorragia e a reposição de hemoderivados.
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