Trauma Grave: Choque Hemorrágico e Coagulopatia por Varfarina

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2026

Enunciado

Homem de 58 anos, portador de fibrilação atrial em uso de varfarina (INR 3,1), vítima de queda de moto a 60 km/h, dá entrada consciente, Glasgow 14, PA 80/40 mmHg, FC 142 bpm, FR 32 irpm, SatO2 89% em O2. Ao exame: murmúrio vesicular diminuído à direita, dor abdominal difusa, jugulares colabadas. FAST: líquido livre em quadrante superior direito. Não há fraturas pélvicas. Após acesso venoso calibroso, recebeu 500 mL de cristalóide aquecido. Qual deve ser a próxima conduta imediata?

Alternativas

  1. A) Administrar plasma fresco congelado e vitamina K para reversão do INR antes da abordagem cirúrgica.
  2. B) Solicitar TC de abdome com contraste para avaliar extensão da lesão abdominal.
  3. C) Realizar toracostomia em selo d'água à direita antes da laparotomia exploradora.
  4. D) Proceder laparotomia exploradora imediata, com correção de coagulopatia durante o ato operatório.
  5. E) Iniciar ressuscitação com protocolo de transfusão maciça e encaminhar à UTI para estabilização antes da cirurgia.

Pérola Clínica

Trauma grave + choque hemorrágico + coagulopatia → Laparotomia exploradora imediata = Correção da coagulopatia intraoperatória.

Resumo-Chave

Em pacientes com trauma grave, choque hemorrágico e coagulopatia pré-existente, a prioridade é o controle do sangramento; a correção da coagulopatia deve ser iniciada concomitantemente à abordagem cirúrgica, não atrasando a intervenção definitiva.

Contexto Educacional

O manejo do paciente traumatizado em choque hemorrágico é uma emergência médica que exige raciocínio rápido e condutas assertivas. A presença de coagulopatia pré-existente, como o uso de varfarina, complica o quadro, mas não deve atrasar a intervenção definitiva para controle do sangramento. A ressuscitação de controle de danos visa restaurar a perfusão tecidual e corrigir distúrbios metabólicos, enquanto se busca o controle cirúrgico da hemorragia. A decisão de realizar uma laparotomia exploradora imediata em um paciente com trauma abdominal fechado e instabilidade hemodinâmica, especialmente com FAST positivo, é crucial. A correção da coagulopatia com plasma fresco congelado e vitamina K deve ser iniciada o mais rápido possível, mas não deve ser um pré-requisito para a entrada no centro cirúrgico. A abordagem deve ser simultânea, com a equipe cirúrgica atuando para controlar o sangramento enquanto a equipe de anestesia e terapia intensiva otimiza a coagulação e a hemodinâmica do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a prioridade no trauma com choque hemorrágico e coagulopatia?

O controle do sangramento é a prioridade máxima, geralmente por intervenção cirúrgica imediata, sem atrasar a correção da coagulopatia.

Como manejar a coagulopatia por varfarina em trauma grave?

A reversão da coagulopatia deve ser iniciada concomitantemente à cirurgia, utilizando plasma fresco congelado e vitamina K, ou concentrado de complexo protrombínico.

Quando realizar laparotomia exploradora em trauma abdominal?

É indicada em pacientes com trauma abdominal e sinais de choque hemorrágico persistente, FAST positivo ou instabilidade hemodinâmica após ressuscitação inicial.

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