Choque Hemorrágico Pediátrico: Manejo Inicial no Trauma

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menina de 8 anos é trazida à sala de emergência após ser atropelada por um carro. A criança foi encontrada inconsciente no local, mas recuperou a consciência durante o transporte para o hospital. Apresenta dor abdominal. Ao exame físico: frequência cardíaca de 150 bpm, pressão arterial de 70/40 mmHg. frequência respiratória de 30 rpm, saturação de oxigênio de 95% em máscara não reinalante, enchimento capilar 6 segundos e pulsos finos. Administrados 20 ml/kg de cristaloides com manutenção dos parâmetros clínicos. Qual é o próximo passo no manejo desta criança?

Alternativas

  1. A) Repetir dose de cristaloides.
  2. B) Administrar plasma fresco.
  3. C) Iniciar agentes vasopressores.
  4. D) Infundir concentrado de hemácias.

Pérola Clínica

Criança em choque hemorrágico refratário ao 1º bolus de cristaloide (20 mL/kg) → Transfusão de concentrado de hemácias (10-15 mL/kg).

Resumo-Chave

Em trauma pediátrico com choque hipovolêmico, a ausência de resposta à reanimação inicial com 20 mL/kg de cristaloide sugere hemorragia significativa. O próximo passo é a reposição de volume com hemoderivados para restaurar a capacidade de transporte de oxigênio e evitar a coagulopatia dilucional.

Contexto Educacional

O manejo do trauma pediátrico segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com atenção especial às particularidades fisiológicas da criança. Crianças possuem uma reserva fisiológica robusta, podendo manter a pressão arterial normal por mais tempo durante a hipovolemia, sendo a taquicardia um dos primeiros e mais sensíveis sinais de choque. A hipotensão é um sinal tardio e ominoso, indicando descompensação grave. O tratamento inicial do choque hipovolêmico, presumidamente hemorrágico no contexto de trauma, consiste na administração rápida de um bolus de 20 mL/kg de solução cristaloide isotônica (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato). A resposta do paciente a essa infusão inicial é um ponto crítico de decisão. Se os sinais de choque persistirem ou retornarem rapidamente, como no caso apresentado, a suspeita de hemorragia contínua e significativa é alta. Nesse cenário de não respondedor ou respondedor transitório, a conduta imediata é a administração de hemoderivados. O próximo passo é a infusão de concentrado de hemácias (10-15 mL/kg) para restaurar a capacidade de transporte de oxigênio. A insistência em múltiplos bolus de cristaloide é deletéria, pois pode causar hemodiluição, coagulopatia, acidose e hipotermia, a chamada 'tríade letal' do trauma. Em casos de hemorragia maciça, a ativação de um protocolo de transfusão maciça (hemácias, plasma e plaquetas em proporções balanceadas) é indicada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque em uma criança?

Sinais precoces incluem taquicardia, pulsos periféricos finos e pele fria/pegajosa. A hipotensão é um sinal tardio e grave. Outros sinais são alteração do nível de consciência, taquipneia e enchimento capilar prolongado (> 2 segundos).

Qual é a dose inicial de concentrado de hemácias para uma criança em choque hemorrágico?

A dose inicial recomendada é de 10 a 15 mL/kg de concentrado de hemácias. Em casos de sangramento maciço, deve-se considerar um protocolo de transfusão maciça com hemácias, plasma e plaquetas na proporção de 1:1:1.

Como diferenciar choque hipovolêmico de outros tipos de choque em pediatria?

No trauma, o choque hipovolêmico/hemorrágico é o mais comum. O choque cardiogênico (raro em trauma, exceto contusão miocárdica) cursa com estase jugular e hepatomegalia. O choque neurogênico cursa com hipotensão e bradicardia. O choque séptico geralmente tem um histórico infeccioso e pele quente nas fases iniciais.

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