Manejo do Choque Hemorrágico no Trauma: Conduta Volêmica

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2015

Enunciado

J.S.S., de 22 anos, do sexo masculino, foi admitido no pronto-socorro após ferimento por arma branca em região abdominal. Familiares negaram o uso de álcool ou drogas ilícitas. Ao exame físico, o paciente apresentava-se com sangramento ativo de grande monta e desorientado no tempo e espaço. Os sinais vitais eram: FC: 132 bpm. PA: 80 x 40 mmHg. FR: 35 irpm. Peso: 82 kg. Qual é a conduta adequada para a ressuscitação volêmica desse paciente? 

Alternativas

  1. A) Cristaloide isolado.
  2. B) Cristaloide + 800 ml de plasma fresco congelado + 2 UI de concentrado de hemácias. 
  3. C) 800 ml de plasma fresco congelado + 2 UI de concentrado de hemácias + 8 UI de crioprecipitado. 
  4. D) Cristaloide + 2 UI de concentrado de hemácias.

Pérola Clínica

Choque Classe III/IV (FC >120, PA ↓) → Cristaloide + Sangue (Hemácias).

Resumo-Chave

Pacientes com sinais de choque hipovolêmico grave (Classe III ou IV) necessitam de reposição volêmica balanceada, priorizando a oferta de oxigênio via hemácias.

Contexto Educacional

O manejo do choque hemorrágico evoluiu para a 'ressuscitação de controle de danos', focando na hipotensão permissiva e no uso precoce de hemoderivados. O paciente em questão apresenta sinais claros de choque Classe III (FC 132, PA 80/40, confusão mental), indicando uma perda volêmica de 30-40%. Nesses casos, a reposição apenas com cristaloides é insuficiente e perigosa, sendo mandatória a introdução de concentrado de hemácias para restaurar a capacidade de transporte de oxigênio e evitar a tríade da morte (acidose, coagulopatia e hipotermia). O ATLS recomenda o uso criterioso de cristaloides (1L) seguido de sangue se a instabilidade persistir.

Perguntas Frequentes

Como classificar o choque hemorrágico?

O choque é classificado de I a IV com base na perda volêmica estimada, frequência cardíaca, pressão arterial e estado mental. A Classe III é caracterizada por perda de 30-40% do volume, taquicardia (>120 bpm), hipotensão e alteração do nível de consciência.

Quando iniciar hemoderivados no trauma?

No choque Classe III e IV, ou quando não há resposta hemodinâmica satisfatória à infusão inicial de 1 litro de cristaloide aquecido em adultos. O objetivo é restaurar a perfusão tecidual e a capacidade de transporte de oxigênio.

Qual o papel do plasma fresco no trauma?

O plasma fresco congelado é indicado em protocolos de transfusão maciça para corrigir ou prevenir a coagulopatia induzida pelo trauma, geralmente administrado em proporção balanceada (1:1:1) com hemácias e plaquetas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo