Choque Hemorrágico no Trauma: Controle de Hemorragia Externa

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2018

Enunciado

Um rapaz de 38 anos sofreu uma queda de moto. Apresentava-se pálido, frio, diaforético e com pulso filiforme. Rapidamente identificavam-se duas lesões: fratura do fêmur esquerdo e ferida contusa em coxa direita com sangramento externo, extenso. Analise as informações abaixo e assinale a única alternativa CORRETA. 

Alternativas

  1. A) Considerando que os dados vitais do paciente fossem PA 80/40 mmHg e P132bpm, é importante examinar o paciente buscando causas de hemorragia interna, pois as lesões descritas não justificariam choque hemorrágico. 
  2. B) A fratura exposta deve ser coberta com curativo estéril ainda no ambiente pré- hospitalar. Esse curativo dever ser aberto e a ferida limpa ainda na sala de emergência, trocando o curativo a cada 15-20 minutos para reduzir a colonização da lesão por microorganismos. 
  3. C) Se o índice tornozelo-braquial for maior que 0.9, deve-se avaliar o membro com angiografia devido ao risco de lesão vascular. 
  4. D) O alinhamento do membro inferior fraturado não deverá ser realizado por risco de aumentar o sangramento. 
  5. E) Se o curativo compressivo aplicado na coxa direita não controlar a hemorragia externa sugerida no caso, deve-se considerar o uso do garrote para o controle inicial da hemorragia, até que possa ser efetuado o controle definitivo da lesão. Lembrando que na coxa esquerda há fratura do fêmur, também fonte de hemorragia. 

Pérola Clínica

Hemorragia externa incontrolável por compressão → Garrote como medida salvadora temporária em trauma grave.

Resumo-Chave

Em situações de hemorragia externa maciça e incontrolável por compressão direta, o garrote é uma medida de salvamento que pode ser aplicada temporariamente para evitar a exanguinação, especialmente quando há outras fontes de sangramento como uma fratura de fêmur.

Contexto Educacional

O choque hemorrágico é a principal causa de morte evitável no trauma, e seu reconhecimento e manejo rápidos são cruciais. A avaliação inicial de um paciente traumatizado segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a identificação e controle de hemorragias. Sinais como palidez, pele fria, diaforese, pulso filiforme e hipotensão são indicativos de choque, mesmo antes de se ter uma medida precisa da pressão arterial. O controle da hemorragia é a pedra angular do tratamento. Hemorragias externas devem ser controladas primeiramente com compressão direta. Se esta falhar em uma hemorragia maciça e com risco de vida, o uso do garrote é uma medida salvadora. Embora historicamente controverso, o garrote é agora recomendado em situações de exanguinação iminente, devendo ser aplicado acima da lesão, apertado até cessar o sangramento e mantido até o controle definitivo da lesão, idealmente por menos de 2 horas. Fraturas de ossos longos, como o fêmur, são fontes importantes de sangramento interno, podendo levar a perdas volêmicas significativas que contribuem para o choque. O alinhamento e imobilização da fratura ajudam a reduzir o sangramento e a dor. A busca por outras fontes de sangramento interno (tórax, abdome, pelve, retroperitônio) é fundamental, mesmo na presença de sangramento externo óbvio.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de choque hemorrágico em um paciente traumatizado?

Os sinais incluem taquicardia, hipotensão, palidez, pele fria e pegajosa, tempo de enchimento capilar prolongado, alteração do nível de consciência e pulso filiforme, indicando hipoperfusão tecidual.

Quando o uso do garrote é indicado no controle de hemorragias externas?

O garrote é indicado para controle de hemorragias externas maciças e incontroláveis por compressão direta, especialmente em cenários de trauma com risco iminente de vida, como amputações traumáticas ou lesões arteriais graves.

Qual a importância da fratura de fêmur no contexto de choque hemorrágico?

A fratura de fêmur é uma fonte significativa de perda sanguínea interna, podendo acumular de 1 a 1,5 litros de sangue no compartimento da coxa, contribuindo substancialmente para o choque hemorrágico.

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