Manejo do Choque Hemorrágico no Trauma Abdominal

HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2026

Enunciado

Paciente de 50 anos, 65kg, vítima de ferimento por projétil de arma de fogo, com orifício de entrada em epigástrio, chega ao pronto socorro, trazido pelo SAMU, com as seguintes alterações no exame físico: pele fria e pálida, FC: 120 bpm, PA: 80x50 mmHg, dor abdominal intensa. A respeito do caso clínico acima, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) A quantidade de fluido inicial que será necessária para a reanimação volêmica do doente é 20 ml/kg, entretanto, a infusão contínua de grandes volumes de fluidos e de sangue, na tentativa de atingir uma pressão arterial normal, não substitui o controle definitivo da hemorragia.
  2. B) A perda sanguínea estimada do paciente é de mais de 40%; dessa forma, além de protocolo de transfusão maciça, o paciente necessita de intervenção definitiva imediata com cirurgia.
  3. C) Após reposição de 11 de cristaloides, se o paciente persistir hipotenso, deve-se solicitar provas cruzadas e sangue tipo específico para hemotransfusão do paciente.
  4. D) Há benefício realizar comprovado de se realizar ácido tranexâmico em até 5 horas após o trauma agudo.

Pérola Clínica

Choque Classe IV (>40% perda) → Hipotensão + Taquicardia + Rebaixamento → Transfusão Maciça + Cirurgia.

Resumo-Chave

Pacientes com choque hemorrágico grave (Classe IV) necessitam de controle imediato da fonte de sangramento e ressuscitação hemostática, evitando a infusão excessiva de cristaloides.

Contexto Educacional

O manejo do paciente politraumatizado com choque hemorrágico evoluiu significativamente com a introdução dos conceitos de 'Ressuscitação de Controle de Danos'. A prioridade absoluta é o controle mecânico da hemorragia (cirurgia ou angioembolização). A reanimação volêmica inicial deve ser cautelosa; o ATLS 10ª edição recomenda um bolus inicial de 1 litro de cristaloide isotônico para adultos, mas enfatiza que em pacientes com choque grave (Classe III e IV), a transfusão de sangue e componentes deve ser iniciada precocemente. A hipotensão permissiva é uma estratégia aceitável em traumas penetrantes sem TCE associado, visando manter uma perfusão orgânica mínima sem exacerbar o sangramento por desprendimento de coágulos. O reconhecimento rápido da Classe IV de choque é vital, pois esses pacientes já ultrapassaram os mecanismos compensatórios e estão em risco iminente de morte por exanguinação.

Perguntas Frequentes

Como classificar o choque hemorrágico segundo o ATLS?

O ATLS divide o choque em quatro classes baseadas na perda volêmica. A Classe I (<15%) apresenta sinais vitais estáveis. A Classe II (15-30%) mostra taquicardia e redução da pressão de pulso. A Classe III (30-40%) apresenta hipotensão e alteração do estado mental. A Classe IV (>40%) é caracterizada por hipotensão severa, taquicardia extrema, oligúria/anúria e letargia, exigindo transfusão imediata.

Qual o papel do ácido tranexâmico (TXA) no trauma?

O TXA é um antifibrinolítico que reduz a mortalidade por sangramento se administrado precocemente. Segundo o estudo CRASH-2, o benefício máximo ocorre quando administrado na primeira hora, sendo ainda eficaz até 3 horas após o trauma. Após 3 horas, o uso de TXA pode estar associado a um aumento do risco de eventos trombóticos e maior mortalidade.

O que define um protocolo de transfusão maciça?

Tradicionalmente, define-se transfusão maciça como a necessidade de >10 unidades de concentrado de hemácias em 24 horas ou >4 unidades em 1 hora. No manejo moderno do trauma, utiliza-se a ressuscitação hemostática precoce com proporções equilibradas de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas (1:1:1) para prevenir a coagulopatia induzida pelo trauma.

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