Choque Hemorrágico Classe III: Diagnóstico e Manejo ATLS

UFAL/HUPAA - Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes (AL) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 25 anos de idade, vítima de acidente moto hemorrágico, apresentando os seguintes sinais vitais: pressão arterial: 60 x 40 mmHg, frequência cardíaca: 135 bpm, frequênci respiratória: 32 irpm, confuso. Segundo o protocolo do choque e a conduta indicada?

Alternativas

  1. A) Classe II - Reposição com cristaloides e hemoderivados.
  2. B) Classe III - Reposição com cristaloides e hemoderivados.
  3. C) Classe IV - Reposição com cristalóides, apenas.
  4. D) Classe IV - Reposição com cristaloides e hemoderivados.

Pérola Clínica

PA 60x40, FC 135, FR 32, confuso = Choque Hemorrágico Classe III (ATLS) → cristaloides + hemoderivados.

Resumo-Chave

A classificação do choque hemorrágico pelo ATLS baseia-se em parâmetros como perda volêmica, frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória e estado mental. Um paciente com PA 60x40 mmHg e FC 135 bpm, além de confusão, indica um choque grave, geralmente Classe III, necessitando de reposição agressiva com cristaloides e hemoderivados.

Contexto Educacional

O choque hemorrágico é uma condição de emergência médica caracterizada pela perda aguda de volume sanguíneo, resultando em perfusão tecidual inadequada e disfunção orgânica. O Advanced Trauma Life Support (ATLS) classifica o choque hemorrágico em quatro classes, baseando-se na perda estimada de volume sanguíneo e nos parâmetros fisiológicos do paciente, o que orienta a conduta terapêutica. A rápida identificação e manejo são cruciais para a sobrevida do paciente. Um paciente com pressão arterial de 60 x 40 mmHg, frequência cardíaca de 135 bpm, frequência respiratória de 32 irpm e estado confuso apresenta um quadro de choque grave. De acordo com a classificação do ATLS, esses sinais são consistentes com choque hemorrágico Classe III ou IV. A frequência cardíaca de 135 bpm, embora elevada, ainda se encaixa na faixa da Classe III (FC > 120 bpm), enquanto a hipotensão grave (PA 60x40 mmHg) e a confusão indicam um comprometimento hemodinâmico significativo. Na Classe III, a perda de volume sanguíneo é de 30-40%, e na Classe IV, acima de 40%. Ambos os cenários exigem intervenção agressiva. A conduta indicada para o choque hemorrágico Classe III e IV é a reposição volêmica imediata e agressiva. Inicialmente, são administrados cristaloides (solução salina isotônica ou Ringer Lactato) em bolus, enquanto se prepara para a transfusão de hemoderivados. A transfusão de concentrado de hemácias é essencial para restaurar a capacidade de transporte de oxigênio, e a administração de plasma fresco congelado e plaquetas é vital para corrigir a coagulopatia que frequentemente acompanha hemorragias maciças. O objetivo é estabilizar o paciente, restaurar a perfusão tecidual e identificar e controlar a fonte do sangramento o mais rápido possível.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar o choque hemorrágico como Classe III pelo ATLS?

O choque hemorrágico Classe III é caracterizado por uma perda de volume sanguíneo de 30-40%, frequência cardíaca >120 bpm, pressão arterial diminuída, pressão de pulso estreitada, frequência respiratória aumentada (30-40 irpm) e estado mental ansioso ou confuso. A necessidade de transfusão sanguínea é geralmente indicada.

Qual a conduta inicial para um paciente em choque hemorrágico Classe III?

A conduta inicial envolve a rápida reposição volêmica com cristaloides (geralmente 1-2 litros em adultos) enquanto se prepara para a transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas), visando restaurar a perfusão tecidual e controlar a fonte do sangramento.

Por que a reposição com hemoderivados é crucial no choque Classe III e IV?

A reposição com hemoderivados é crucial porque a perda de mais de 30% do volume sanguíneo total compromete severamente a capacidade de transporte de oxigênio do sangue e a coagulação. Apenas cristaloides não são suficientes para restaurar a capacidade de oxigenação e corrigir a coagulopatia induzida pela hemorragia e diluição.

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