Choque Hipovolêmico no Trauma: Classificação e Manejo Urgente

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 45 anos, 70Kg, vítima de trauma abdominal penetrante, dá entrada na emergência apresentando os seguintes parâmetros hemodinâmicos: PA 60 x 40mmHg; FC 145bpm; FR 35irpm; diurese 5ml/h. Qual a estimativa da perda sanguínea desse paciente (%) e como esta perda deve ser reposta de forma correta:

Alternativas

  1. A) Mais de 40% da volemia, devendo ser tratada com administração de soluções cristaloides, coloides e transfusão maciça de hemácias.
  2. B) Entre 30-40% da volemia, devendo ser tratada com administração de soluções cristaloides e transfusão maciça de hemácias.
  3. C) Entre 15-30% da volemia, devendo ser tratada com administração de coloides e transfusão de hemácias.
  4. D) Entre 30-40% da volemia, devendo ser tratada com administração de soluções cristaloides, coloides e transfusão maciça de hemácias.
  5. E) Mais de 40% da volemia, devendo ser tratada com administração de soluções cristaloides e transfusão maciça de hemácias.

Pérola Clínica

Choque hipovolêmico Classe IV (>40% perda) → Hipotensão grave, taquicardia >140, oligúria, reposição com cristaloides + transfusão maciça.

Resumo-Chave

A classificação do choque hemorrágico pelo ATLS é fundamental para guiar a reposição volêmica. Pacientes em choque Classe IV apresentam instabilidade hemodinâmica grave e necessitam de reposição agressiva com cristaloides e transfusão maciça de hemácias, plasma e plaquetas.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico é uma das principais causas de mortalidade evitável no trauma, sendo crucial seu reconhecimento e manejo rápidos. A avaliação inicial de um paciente traumatizado segue os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS), que inclui a classificação do choque hemorrágico em quatro classes, baseada em parâmetros fisiológicos como frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, débito urinário e nível de consciência. Essa classificação permite estimar a perda volêmica e guiar a terapêutica. Pacientes em choque Classe IV, como o descrito na questão, apresentam perda sanguínea superior a 40% da volemia, manifestando hipotensão grave, taquicardia acentuada (>140 bpm), taquipneia e oligúria ou anúria. Nesses casos, a reposição volêmica deve ser agressiva e imediata. Embora os cristaloides sejam a primeira linha para expansão volêmica inicial, pacientes em choque grave com sangramento ativo necessitam de transfusão maciça de hemoderivados (hemácias, plasma e plaquetas) em proporções balanceadas para otimizar a oxigenação tecidual e a coagulação. Para residentes, o domínio do manejo do choque hipovolêmico no trauma é uma habilidade vital. Isso inclui a rápida identificação da classe de choque, a instituição de acesso venoso calibroso, a administração adequada de fluidos e hemoderivados, e a busca ativa pela fonte do sangramento para controle definitivo. A compreensão da fisiopatologia e das diretrizes de ressuscitação impacta diretamente o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar o choque hemorrágico segundo o ATLS?

O ATLS classifica o choque hemorrágico em quatro classes com base na perda volêmica estimada, frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, débito urinário e estado mental do paciente.

Quando a transfusão maciça de hemoderivados é indicada no trauma?

A transfusão maciça é indicada em pacientes com choque hemorrágico grave (Classe III ou IV) que não respondem à reposição inicial de cristaloides e que apresentam sangramento contínuo e significativo.

Qual a prioridade na reposição volêmica inicial em choque hipovolêmico?

A prioridade é a rápida administração de cristaloides isotônicos (ex: Ringer Lactato ou SF 0,9%) para restaurar o volume intravascular, enquanto se busca controlar a fonte do sangramento e preparar hemoderivados.

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