Choque Hemorrágico Classe III: Transfusão Maciça no Trauma

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 30 anos de idade foi admitido na sala de emergência após um acidente de trânsito grave apresentando sinais de choque hipovolêmico. A avaliação inicial revelou PA sistólica = 80 mmHg, FC = 130 bpm e FAST positivo. De acordo com as diretrizes do ATLS, assinale a alternativa que apresenta a conduta recomendada para a administração de transfusões nesse paciente e a classe de choque hemorrágico na qual o paciente se encontra.

Alternativas

  1. A) Realizar transfusão maciça imediata com concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas em uma proporção de 1:1:1, em razão de choque hemorrágico classe III.
  2. B) Administrar apenas concentrado de hemácias para restabelecer a pressão arterial sistólica normal, por causa de choque classe II.
  3. C) Iniciar plasma fresco congelado antes de concentrado de hemácias para corrigir as alterações da coagulação, pois o paciente se encontra em choque classe I.
  4. D) Realizar tomografia computadorizada abdominal com contraste, antes de considerar qualquer transfusão, por se tratar de um paciente grave com choque classe IV e necessidade de cirurgia abdominal.
  5. E) Iniciar plaquetas antes do concentrado de hemácias para evitar sangramento excessivo, uma vez que o sangramento está relacionado à plaquetopenia no trauma grave. O paciente encontra-se em choque classe III.

Contexto Educacional

O choque hemorrágico é uma das principais causas de mortalidade em pacientes traumatizados. A classificação do choque, conforme o ATLS, baseia-se na perda estimada de volume sanguíneo e nos parâmetros fisiológicos do paciente, como frequência cardíaca, pressão arterial, pressão de pulso e estado mental. Um paciente com PA sistólica de 80 mmHg e FC de 130 bpm, após trauma grave, com FAST positivo, se enquadra na Classe III de choque, indicando uma perda significativa de volume sanguíneo (30-40%). A fisiopatologia do choque hemorrágico envolve a diminuição da perfusão tecidual e oxigenação celular, levando à disfunção orgânica. No trauma grave, a coagulopatia é uma complicação precoce e letal, exacerbada pela hipotermia e acidose (a "tríade letal"). O diagnóstico rápido e a intervenção são cruciais para a sobrevida. A conduta recomendada para o choque hemorrágico Classe III, especialmente com evidência de sangramento ativo (FAST positivo), é a transfusão maciça imediata. As diretrizes atuais preconizam a administração de concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas em uma proporção de 1:1:1. Essa abordagem visa restaurar a capacidade de transporte de oxigênio, corrigir a coagulopatia e estabilizar o paciente, preparando-o para o controle definitivo da hemorragia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar o choque hemorrágico como Classe III?

A Classe III é caracterizada por perda de 30-40% do volume sanguíneo, frequência cardíaca entre 120-140 bpm, pressão arterial sistólica diminuída, pressão de pulso diminuída e alteração do estado mental, exigindo intervenção imediata.

Por que a proporção 1:1:1 de componentes sanguíneos é recomendada na transfusão maciça?

Essa proporção visa mimetizar o sangue total e corrigir precocemente a coagulopatia induzida por trauma, que é uma das principais causas de mortalidade em sangramentos maciços, melhorando os resultados do paciente.

O que significa um FAST positivo no contexto de trauma?

Um FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) positivo indica a presença de líquido livre (geralmente sangue) em cavidades como o peritônio, pericárdio ou pleura, sugerindo sangramento interno e a necessidade de intervenção rápida.

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