Choque Hipovolêmico Classe III: Diagnóstico e Tratamento no Trauma

Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente feminina, colidiu com sua motocicleta contra anteparo (muro) e é transferida a sala de emergência em prancha rígida e colar cervical após 50 minutos do trauma. Sem lesões de via aérea e nenhuma alteração torácica. Sem nenhuma hemorragia externa, com  muita dor a palpação abdominal, sem sinais de irritação peritoneal. Apresentava-se na admissão do seu serviço extremamente agitada, confusa, com os seguintes sinais vitais: PA: 70/40 mmHg, FC 130 bpm, Sat O₂: 95%, Temp 35,3oC, FR 31 irpm. De acordo com o caso acima, assinale a classificação correta do grau de choque e a conduta adequada.

Alternativas

  1. A) Choque Classe III, solução cristaloide.
  2. B) Choque Classe III, solução cristaloide e hemoderivados.
  3. C) Choque Classe IV, hemoderivados e solução cristaloide.
  4. D) Choque Classe IV, transfusão maciça.

Pérola Clínica

PA 70/40, FC 130, agitação em trauma abdominal → Choque Classe III, iniciar cristaloides e hemoderivados.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais de choque grave (PA 70/40 mmHg, FC 130 bpm, agitação/confusão), compatível com Choque Classe III. A conduta inicial envolve reposição volêmica com cristaloides e, devido à gravidade e provável hemorragia interna (dor abdominal), a necessidade de hemoderivados é alta.

Contexto Educacional

O trauma é uma das principais causas de mortalidade e morbidade, e o choque hipovolêmico por hemorragia é a complicação mais letal. A classificação do choque, conforme o ATLS, é uma ferramenta essencial para guiar o tratamento e prever a necessidade de intervenções. A paciente apresenta um quadro clássico de choque Classe III: hipotensão significativa (PA 70/40 mmHg), taquicardia (FC 130 bpm), taquipneia (FR 31 irpm) e alteração do nível de consciência (agitada, confusa). A dor abdominal intensa, sem hemorragia externa, sugere sangramento interno como causa provável. O tratamento do choque Classe III exige uma abordagem agressiva. A reposição volêmica inicial com cristaloides é fundamental, mas devido à perda sanguínea substancial, a transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias) é quase sempre necessária para restaurar a capacidade de transporte de oxigênio e estabilizar o paciente. A busca e controle da fonte do sangramento são simultâneos e cruciais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar o choque como Classe III?

O choque Classe III é caracterizado por perda de 30-40% do volume sanguíneo, com hipotensão (PA sistólica < 90 mmHg), taquicardia (>120 bpm), taquipneia (>30 irpm), alteração do estado mental (agitação, confusão) e oligúria.

Qual a conduta inicial para um paciente em choque Classe III por trauma?

A conduta inicial inclui a administração rápida de cristaloides (ex: 1-2 litros de soro fisiológico ou Ringer lactato em adultos) e, devido à perda volêmica significativa, a transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias) é geralmente necessária e deve ser iniciada precocemente.

Como a dor abdominal no trauma se relaciona com o choque?

Dor abdominal intensa após trauma contuso, mesmo sem sinais de irritação peritoneal, sugere hemorragia interna em órgãos sólidos (fígado, baço) ou retroperitônio, que pode levar rapidamente ao choque hipovolêmico.

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