Trauma Abdominal Contuso: Manejo do Choque Hemorrágico

Santa Casa de Goiânia (GO) — Prova 2021

Enunciado

Leia o caso clínico a seguir.Paciente vítima de trauma abdominal contuso há cerca de uma hora, trazido pelo Samu. Relato de infusão de 1.000 ml de Ringer Lactato no trajeto. Apresenta FR 36 IPM, com murmúrio vesicular audível bilateralmente, FC 142 BPM e PA 80 x 40 mmHg, pressão de pulso diminuída. Abdome com sinal de irritação peritoneal.Nesse caso, qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Administração de ácido tranexâmico, transfusão de concentrado de hemácias, plasma fresco e plaquetas na proporção de 1:1:1 e cirurgia imediata.
  2. B) Infusão de 1.000 ml de soro Ringer Lactato aquecido, transfusão de concentrado de hemácias, plasma fresco na proporção de 2:1 e cirurgia imediata.
  3. C) Infusão de 1.000 ml de soro Ringer Lactato aquecido e mais 2.000 ml subsequentes, caso não ocorra aumento da PA. Tipagem sanguínea para provável transfusão e cirurgia imediata.
  4. D) Transfusão de duas unidades de concentrado de hemácias e demais hemoderivados de acordo com estudo da coagulação e cirurgia após tomografia de abdome com contraste.

Pérola Clínica

Choque hemorrágico grave em trauma abdominal → Transfusão maciça (1:1:1) + Ácido Tranexâmico + Cirurgia imediata.

Resumo-Chave

Paciente com trauma abdominal contuso e sinais de choque hipovolêmico refratário à fluidoterapia inicial necessita de controle rápido da hemorragia. A conduta inclui transfusão maciça de hemoderivados (hemácias, plasma, plaquetas na proporção 1:1:1), ácido tranexâmico para reduzir sangramento e cirurgia imediata para controle definitivo da fonte hemorrágica.

Contexto Educacional

O trauma abdominal contuso é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes traumatizados, frequentemente resultando em hemorragia interna e choque hipovolêmico. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na identificação e manejo rápido das lesões com risco de vida. A presença de taquicardia, hipotensão, taquipneia e sinais de irritação peritoneal, especialmente após falha na resposta inicial à fluidoterapia com cristaloides, indica choque hemorrágico grave e necessidade de intervenção imediata. A conduta no choque hemorrágico grave em trauma abdominal exige uma abordagem agressiva e multifacetada. A ressuscitação volêmica deve ser iniciada com cristaloides, mas rapidamente escalada para hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas) em proporções balanceadas (geralmente 1:1:1) para combater a tríade letal do trauma (acidose, hipotermia e coagulopatia). O ácido tranexâmico, um antifibrinolítico, deve ser administrado precocemente para reduzir a perda sanguínea. Simultaneamente à ressuscitação, o controle definitivo da fonte de sangramento é primordial, o que geralmente implica em cirurgia de emergência (laparotomia exploradora). A tomografia de abdome com contraste, embora útil para estadiamento de lesões, não deve atrasar a intervenção cirúrgica em pacientes hemodinamicamente instáveis com sinais de hemorragia ativa. O objetivo é estabilizar o paciente, controlar o sangramento e otimizar a perfusão tecidual o mais rápido possível.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hemorrágico grave em trauma abdominal?

Sinais incluem taquicardia (>120 bpm), hipotensão (PAS <90 mmHg), pressão de pulso diminuída, taquipneia, alteração do nível de consciência e sinais de irritação peritoneal.

Por que o ácido tranexâmico é indicado no trauma com sangramento?

O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico que inibe a degradação do coágulo, reduzindo o sangramento e a necessidade de transfusão, sendo mais eficaz se administrado nas primeiras 3 horas pós-trauma.

Qual a importância da proporção 1:1:1 na transfusão maciça?

A proporção 1:1:1 de concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas visa mimetizar o sangue total, corrigindo a coagulopatia induzida pelo trauma e pela diluição, otimizando a hemostasia.

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