Choque Hemorrágico ATLS: Classificação e Manejo

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

Em relação ao Advanced Trauma Life Support (ATLS), que categoriza o choque hemorrágico em quadro classes, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Na classe I, a estimativa de perda volêmica é de 0-15%, a frequência cardíaca encontra-se inalterada e a pressão de pulso é reduzida.
  2. B) Na Classe II, o paciente apresenta frequência cardíaca maior que 100 batimentos por minuto, frequência respiratória entre 25 e 35 ipm e perda volêmica estimada entre 15 e 30% da volemia.
  3. C) Na classe III, deve-se fazer a reposição volêmica com cristaloide/sangue, e espera-se um débito urinário entre 5 e 15 mL/h; paciente pode se apresentar ansioso ou confuso.
  4. D) Na Classe IV, encontra-se o paciente taquicardíaco, com frequência cardíaca acima de 140; a frequência respiratória estará acima de 40 ipm, e a pressão de pulso aumentada.

Pérola Clínica

Choque hemorrágico Classe III → FC > 120, FR 30-40, PA ↓, débito urinário 5-15 mL/h, ansioso/confuso, reposição cristaloide/sangue.

Resumo-Chave

No choque hemorrágico Classe III, a perda volêmica estimada é de 30-40%, levando a taquicardia (>120 bpm), taquipneia (30-40 ipm), hipotensão e débito urinário reduzido (5-15 mL/h). O paciente apresenta ansiedade ou confusão, e a reposição volêmica deve incluir cristaloides e, frequentemente, transfusão sanguínea.

Contexto Educacional

O Advanced Trauma Life Support (ATLS) é um curso fundamental para o manejo inicial do paciente traumatizado, e a classificação do choque hemorrágico é um de seus pilares. O choque hemorrágico é a causa mais comum de morte evitável em pacientes traumatizados, e sua identificação e tratamento rápidos são cruciais para a sobrevida. O ATLS categoriza o choque hemorrágico em quatro classes (I, II, III, IV) com base na perda volêmica estimada e nas alterações fisiológicas resultantes. A Classe I envolve perda de até 15% da volemia, com alterações mínimas. A Classe II (15-30%) apresenta taquicardia leve e pressão de pulso reduzida. A Classe III (30-40%) é caracterizada por taquicardia mais acentuada, hipotensão, taquipneia, débito urinário reduzido e alteração do estado mental. A Classe IV (>40%) representa um choque grave e iminente risco de vida. O manejo do choque hemorrágico envolve o controle da hemorragia e a reposição volêmica. Inicialmente, são administrados cristaloides isotônicos. No entanto, a partir da Classe III, a necessidade de transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas) torna-se mais provável e urgente. A monitorização contínua dos sinais vitais, débito urinário e estado mental é essencial para guiar a ressuscitação e avaliar a resposta ao tratamento, visando restaurar a perfusão tecidual e a oxigenação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais parâmetros utilizados para classificar o choque hemorrágico pelo ATLS?

O ATLS classifica o choque hemorrágico com base em quatro parâmetros principais: perda volêmica estimada, frequência cardíaca, pressão arterial (sistólica e de pulso), frequência respiratória, débito urinário e estado mental do paciente.

Qual a diferença na reposição volêmica entre as classes de choque hemorrágico?

Nas Classes I e II, a reposição inicial é com cristaloides. Na Classe III, além de cristaloides, a transfusão sanguínea é frequentemente necessária. Na Classe IV, a transfusão de sangue é mandatória e imediata, junto com cristaloides, para estabilização hemodinâmica.

Como o débito urinário reflete a gravidade do choque hemorrágico?

O débito urinário é um indicador sensível da perfusão renal e, consequentemente, da perfusão sistêmica. À medida que o choque progride (Classe I a IV), o débito urinário diminui progressivamente devido à hipoperfusão renal e à ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e ADH.

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