Choque Hemorrágico: Fisiopatologia e Resposta Metabólica

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Homem de 47 anos, após queda de andaime evoluiu com choque hemorrágico secundário a grave lesão hepática. Em relação à fisiopatologia e à resposta ao choque hemorrágico, assinale a alternativa ERRADA:

Alternativas

  1. A) Na hipotensão, a liberação de noradrenalina e adrenalina ativa os receptores adrenérgicos do miocárdio e da musculatura lisa
  2. B) O primeiro mecanismo de compensação em resposta à diminuição do volume intravascular é o aumento da atividade simpática
  3. C) Ocorre aumento da frequência e da contratilidade cardíaca, assim como aumento da resistência vascular periférica
  4. D) Pela ação das catecolaminas observa-se significativa e paradoxal diminuição da glicose no sangue

Pérola Clínica

Choque hemorrágico → ativação simpática e catecolaminas → ↑ glicogenólise/gliconeogênese → HIPERGLICEMIA.

Resumo-Chave

No choque hemorrágico, a resposta fisiológica inicial envolve a ativação do sistema nervoso simpático e a liberação de catecolaminas. Essas substâncias, entre outras ações, promovem a mobilização de glicose (glicogenólise e gliconeogênese), resultando em hiperglicemia, e não hipoglicemia, como um mecanismo de fornecimento de energia para as células em estresse.

Contexto Educacional

O choque hemorrágico é uma condição de emergência grave caracterizada pela perda aguda e significativa de volume sanguíneo, levando à perfusão tecidual inadequada e disfunção orgânica. A epidemiologia está frequentemente associada a traumas, hemorragias gastrointestinais ou obstétricas. A compreensão de sua fisiopatologia é crucial para o manejo eficaz e a redução da mortalidade. A fisiopatologia do choque hemorrágico envolve uma cascata de eventos compensatórios. Inicialmente, a diminuição do volume intravascular ativa barorreceptores, que estimulam o sistema nervoso simpático. Isso resulta na liberação de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), que aumentam a frequência cardíaca, a contratilidade miocárdica e causam vasoconstrição periférica para centralizar o fluxo sanguíneo para órgãos vitais. Além disso, há ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e liberação de vasopressina para reter água e sódio. No nível metabólico, as catecolaminas e o cortisol promovem glicogenólise e gliconeogênese, levando à hiperglicemia, um mecanismo para fornecer energia em condições de estresse. O tratamento do choque hemorrágico foca na interrupção da hemorragia e na reposição volêmica agressiva, preferencialmente com hemoderivados. A monitorização hemodinâmica é essencial. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da eficácia das medidas de ressuscitação. É fundamental reconhecer que a hiperglicemia é uma resposta esperada no choque, e não uma diminuição paradoxal da glicose, como um erro conceitual comum pode sugerir.

Perguntas Frequentes

Quais são os primeiros mecanismos de compensação no choque hemorrágico?

Os primeiros mecanismos de compensação no choque hemorrágico envolvem a ativação do sistema nervoso simpático, levando à liberação de catecolaminas (noradrenalina e adrenalina). Isso resulta em aumento da frequência cardíaca, contratilidade miocárdica e vasoconstrição periférica para manter a perfusão de órgãos vitais.

Qual o papel das catecolaminas na resposta ao choque hemorrágico?

As catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) são cruciais na resposta ao choque. Elas ativam receptores adrenérgicos, aumentando o débito cardíaco e a resistência vascular sistêmica, e também influenciam o metabolismo, promovendo glicogenólise e gliconeogênese para elevar os níveis de glicose no sangue.

Como o metabolismo da glicose é afetado no choque hemorrágico?

No choque hemorrágico, o metabolismo da glicose é alterado para fornecer energia. A ação das catecolaminas e outros hormônios do estresse (como cortisol e glucagon) estimula a glicogenólise hepática e a gliconeogênese, resultando em hiperglicemia, que é uma resposta comum ao estresse metabólico.

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