Choque Hemorrágico ATLS: Classificação e Manejo Inicial

UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Você atende a um paciente vítima de agressão por arma branca, com feridas no pescoço e abdome. O exame físico mostra o paciente ansioso e algo confuso, com frequência cardíaca de 124 bpm, pressão arterial sistólica menor que 90 mmHg, frequência respiratória de 35 ipm e com débito urinário menor que 15 ml/h. A estimativa da perda sanguínea está em torno de 35%. De acordo com o ATLS – Advanced Trauma Life Support, qual seria a classificação?

Alternativas

  1. A) Choque hemorrágico classe I.
  2. B) Choque hemorrágico classe II.
  3. C) Choque hemorrágico classe III.
  4. D) Choque hemorrágico classe IV.
  5. E) Choque hemorrágico classe V.

Pérola Clínica

Choque hemorrágico Classe III: perda 30-40% sangue, FC >120, PA ↓, FR ↑, débito urinário ↓, Glasgow ↓.

Resumo-Chave

A classificação do choque hemorrágico pelo ATLS é fundamental para estimar a perda sanguínea e guiar a ressuscitação. A Classe III indica uma perda significativa de volume, exigindo reposição agressiva de fluidos e, frequentemente, transfusão sanguínea.

Contexto Educacional

O choque hemorrágico é uma condição de emergência caracterizada por perda aguda de volume sanguíneo suficiente para comprometer a perfusão tecidual e a entrega de oxigênio. O Advanced Trauma Life Support (ATLS) fornece uma classificação padronizada do choque hemorrágico em quatro classes, baseada na perda sanguínea estimada e nas alterações fisiológicas resultantes, que são cruciais para guiar o manejo. A classificação do ATLS utiliza parâmetros como frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, débito urinário e estado mental para estimar a perda sanguínea e a gravidade do choque. A Classe III, como no caso descrito, corresponde a uma perda sanguínea de 30-40% do volume total, manifestando-se com taquicardia (>120 bpm), hipotensão (PAS < 90 mmHg), taquipneia (>30 ipm), oligúria (<15 ml/h) e alteração do estado mental (ansiedade, confusão). O manejo do choque hemorrágico envolve a identificação e controle da fonte de sangramento, além da reposição volêmica agressiva. Na Classe III, a transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas) é frequentemente necessária, além da infusão de cristaloides. A monitorização contínua e a reavaliação são cruciais para guiar a ressuscitação e prevenir a progressão para choque irreversível.

Perguntas Frequentes

Quais são os parâmetros utilizados para classificar o choque hemorrágico pelo ATLS?

Os parâmetros incluem perda sanguínea estimada, frequência cardíaca, pressão arterial, pressão de pulso, frequência respiratória, débito urinário e estado mental (avaliado pela Escala de Coma de Glasgow).

Qual a principal diferença entre choque hemorrágico Classe II e Classe III?

A principal diferença está na perda sanguínea estimada (Classe II: 15-30%; Classe III: 30-40%) e na manifestação clínica, com a Classe III apresentando hipotensão mais evidente, taquicardia mais acentuada (>120 bpm) e alteração do estado mental (ansiedade, confusão).

Por que o débito urinário é um indicador importante na classificação do choque?

O débito urinário reflete a perfusão renal e, consequentemente, a perfusão sistêmica. Uma redução significativa (< 30 ml/h) indica hipovolemia e vasoconstrição renal compensatória, sendo um sinal precoce e sensível de choque, mesmo antes de quedas acentuadas da pressão arterial.

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