HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021
Mulher de 23 anos de idade, caiu de motocicleta em via expressa. Chega ao Serviço de Emergência após 30 minutos do acidente, trazida pela equipe de Resgate. Na avaliação de admissão na sala de trauma apresenta-se: A: Conversando. Saturação de O2 93%; B: Ausculta pulmonar sem alterações. Ausência de deformidade no tórax; C: PA: 80x50mmHg; FC: 120bpm; FAST positivo no espaço hepatorrenal; D: Escala de Glasgow de 15, porém agitada; E: Equimose no flanco e hipocôndrio direitos; Após a infusão de 1L de soro fisiológico (SF), apresentou PA: 90x60mmHg e FC de 105bpm. Com relação ao tratamento do choque hemorrágico desta paciente, qual é a melhor estratégia na sala de trauma?
Choque hemorrágico grave → Ácido tranexâmico precoce, transfusão maciça (hemácias, plasma, plaquetas), reposição de cálcio.
Pacientes em choque hemorrágico grave por trauma necessitam de ressuscitação volêmica agressiva com produtos sanguíneos (concentrado de hemácias, plasma, plaquetas), ácido tranexâmico para reduzir sangramento e reposição de cálcio para contrabalancear a hipocalcemia induzida pela transfusão.
O choque hemorrágico é a principal causa de morte evitável no trauma. A paciente apresenta sinais de choque (PA baixa, FC elevada, FAST positivo) e resposta transitória à infusão inicial de cristaloides, indicando sangramento ativo e necessidade de intervenção rápida. O manejo precoce e agressivo é crucial para melhorar o prognóstico e evitar a tríade letal (hipotermia, acidose, coagulopatia). A fisiopatologia do choque hemorrágico envolve a perda de volume sanguíneo, levando à hipoperfusão tecidual e disfunção orgânica. O tratamento visa controlar a fonte de sangramento e restaurar a perfusão. O ácido tranexâmico atua como antifibrinolítico, reduzindo a perda sanguínea. A transfusão maciça, com concentrado de hemácias, plasma e plaquetas, corrige a anemia e a coagulopatia induzida pelo trauma e pela diluição. A reposição de cálcio é fundamental, pois o citrato presente nos produtos sanguíneos pode causar hipocalcemia, que compromete a coagulação e a função cardíaca. A infusão excessiva de cristaloides deve ser evitada, pois pode diluir os fatores de coagulação e piorar a hipotermia. A estratégia de ressuscitação hemostática, com controle do sangramento e reposição balanceada de componentes sanguíneos, é a base do tratamento moderno do choque hemorrágico no trauma.
O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico que atua inibindo a fibrinólise, reduzindo a mortalidade por sangramento em pacientes traumatizados com choque hemorrágico. É mais eficaz quando administrado nas primeiras 3 horas após o trauma.
O citrato presente nos produtos sanguíneos (especialmente plasma e plaquetas) quelata o cálcio, podendo causar hipocalcemia. A hipocalcemia prejudica a cascata de coagulação e a função miocárdica, tornando a reposição de cálcio crucial para prevenir essas complicações.
A transfusão maciça geralmente envolve a administração de concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e concentrado de plaquetas em proporções próximas de 1:1:1. O objetivo é corrigir a anemia, coagulopatia e trombocitopenia simultaneamente, mimetizando o sangue total.
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