Choque Elétrico: Manejo Inicial e Complicações Graves

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Uma mulher com 42 anos de idade, levada ao Pronto-Socorro (PS) de hospital de nível secundário para atendimento, relata ter sofrido choque elétrico ao encostar inadvertidamente em fio caído da rede elétrica. Ao exame físico, apresenta orifício de entrada da corrente elétrica na mão direita e de saída em joelho esquerdo, contratura da mão e do cotovelo direito, assim como sinais de trombose de vasos sanguíneos superficiais do membro superior direito. Queixa-se de dor e apresenta urina escura. Com base na história clínica da paciente e nos dados do exame físico, a conduta inicial indicada é

Alternativas

  1. A) fasciotomia, reposição hídrica por via oral, radiografia de membro superior direito e observação no PS.
  2. B) sondagem vesical, pesquisa de mioglobina na urina, analgesia, monitorização eletrocardiográfica e internação hospitalar.
  3. C) avaliação do cirurgião plástico, considerando que a superfície corpórea queimada corresponde a 9%, além de reposição hídrica por via oral.
  4. D) reposição com fluidos endovenosos, monitorização eletrocardiográfica e transferência para centro especializado em queimados, após estabilização.

Pérola Clínica

Choque elétrico grave → reposição volêmica agressiva, ECG, monitorização renal (rabdomiólise) e transferência para centro de queimados.

Resumo-Chave

O choque elétrico pode causar lesões profundas não visíveis externamente, incluindo rabdomiólise (urina escura) e arritmias cardíacas. A conduta inicial foca na estabilização hemodinâmica com fluidos, monitorização cardíaca e renal, e transferência para um centro especializado devido à complexidade das lesões.

Contexto Educacional

O choque elétrico é uma emergência médica que pode causar lesões graves e potencialmente fatais, mesmo com poucas evidências externas de queimadura. A corrente elétrica pode percorrer o corpo, causando danos internos significativos a músculos, nervos, vasos sanguíneos e órgãos vitais, como o coração e os rins. A gravidade da lesão depende da voltagem, tipo de corrente, duração do contato e caminho percorrido pela corrente. As manifestações clínicas incluem queimaduras cutâneas (orifícios de entrada e saída), arritmias cardíacas (desde taquicardias até fibrilação ventricular), rabdomiólise (destruição muscular com liberação de mioglobina, levando à urina escura e risco de lesão renal aguda), lesões neurológicas e síndrome compartimental. A contratatura e trombose de vasos superficiais indicam lesão tecidual significativa. A conduta inicial prioriza a estabilização do paciente. Isso inclui reposição volêmica agressiva com fluidos endovenosos para prevenir e tratar a lesão renal aguda por rabdomiólise, monitorização eletrocardiográfica contínua para detectar arritmias, e analgesia adequada. Após a estabilização, a transferência para um centro especializado em queimados é fundamental, pois esses pacientes frequentemente necessitam de cuidados complexos, incluindo cirurgias (como fasciotomias), manejo de lesões renais e cardíacas, e reabilitação.

Perguntas Frequentes

Por que a urina escura é um sinal de alerta após choque elétrico?

A urina escura indica rabdomiólise, a destruição de células musculares liberando mioglobina. A mioglobina é nefrotóxica e pode causar lesão renal aguda, exigindo hidratação agressiva para sua eliminação.

Qual a importância da monitorização eletrocardiográfica no choque elétrico?

A corrente elétrica pode causar arritmias cardíacas graves, incluindo fibrilação ventricular, mesmo horas após o evento. A monitorização contínua é essencial para detectar e tratar essas complicações.

Quando a fasciotomia é indicada após choque elétrico?

A fasciotomia é indicada em casos de síndrome compartimental, que pode ocorrer devido ao edema muscular extenso causado pela lesão elétrica, comprometendo a perfusão dos tecidos.

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