HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2021
Menino, 8 anos de idade e 25kg, em atendimento no pronto-socorro com queixa de desconforto respiratório e manchas vermelhas, pruriginosas, iniciadas hoje, após ter ingerido amendoim. Levado à sala de emergência, monitorizado, solicitado acesso venoso periférico e medida de pressão arterial. Na avaliação primária, apresenta estridor laríngeo no A: taquidispneia, tiragem intercostal, sibilos expiratórios e saturação periférica de O2 = 96% em ar ambiente; no B: frequência cardíaca = 132 batimentos/minuto, pressão arterial = 92 x 64 mmHg, perfusão periférica = 4 segundos; no C: escala de coma de Glasgow = 13 pontos, sem sinais meníngeos, com movimentação ativa, glicemia capilar = 96 mg/dL; no D: apresentando urticárias em tronco e face, com edema palpebral bilateral, afebril. Podemos afirmar que se trata de uma criança que apresenta como diagnóstico:
Anafilaxia + má perfusão + PA normal = Choque distributivo compensado.
Em pediatria, o choque é 'compensado' quando há sinais clínicos de má perfusão (taquicardia, enchimento capilar lento), mas a pressão arterial sistólica ainda está preservada.
O reconhecimento precoce do choque em pediatria é crucial, pois as crianças possuem mecanismos compensatórios vigorosos, especialmente a taquicardia e a vasoconstrição periférica, que mantêm a pressão arterial até que cerca de 25-30% do volume circulante seja comprometido. No caso clínico apresentado, a criança tem sinais claros de anafilaxia (urticária, estridor, exposição a alérgeno) e sinais de má perfusão (enchimento capilar de 4s), mas a pressão arterial de 92 mmHg é normal para um menino de 8 anos, configurando o estado compensado do choque distributivo.
O choque compensado é caracterizado por sinais de má perfusão tecidual, como taquicardia, tempo de enchimento capilar > 2 segundos, pulsos periféricos finos e alteração do nível de consciência, porém com a pressão arterial sistólica dentro da normalidade para a idade.
A anafilaxia provoca uma liberação sistêmica de mediadores inflamatórios que causam vasodilatação periférica intensa e aumento da permeabilidade vascular, levando a uma queda da resistência vascular sistêmica e má distribuição do fluxo sanguíneo.
A primeira linha de tratamento é a Adrenalina (Epinefrina) 1mg/ml na dose de 0,01 mg/kg (máx 0,3-0,5mg) por via intramuscular, seguida de estabilização da via aérea e expansão volêmica com cristaloide.
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