Choque Distributivo: Hemodinâmica e Fisiopatologia

HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2021

Enunciado

Podemos definir como choque um estado de hipoperfusão tecidual. Dentre os parâmetros hemodinâmicos abaixo relacionados, qual das alternativas abaixo é CORRETA?

Alternativas

  1. A) Choque cardiogênico: resistência vascular sistêmica baixa e índice cardíaco baixo
  2. B) Choque hipovolêmico: pressão venosa central baixa, pressão de oclusão capilar alta
  3. C) Choque distributivo: pressões de enchimento dependem do ''status volêmico'' do paciente, resistência vascular sistêmica baixa
  4. D) Choque obstrutivo: Índice cardíaco normal e pressão de oclusão capilar baixa
  5. E) Nenhuma das alternativas anteriores.

Pérola Clínica

Choque distributivo → RVS baixa (vasodilatação), pressões de enchimento variáveis (dependem da volemia).

Resumo-Chave

No choque distributivo (ex: séptico, anafilático), a principal alteração é a vasodilatação sistêmica generalizada, que leva a uma resistência vascular sistêmica (RVS) muito baixa. As pressões de enchimento cardíaco (PVC, PoCP) podem ser baixas, normais ou altas, dependendo do estado volêmico e da resposta à ressuscitação volêmica.

Contexto Educacional

Choque é uma síndrome clínica de hipoperfusão tecidual generalizada, resultando em desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio e nutrientes. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para a sobrevida do paciente. Existem quatro tipos principais de choque: hipovolêmico, cardiogênico, obstrutivo e distributivo. A fisiopatologia do choque distributivo, exemplificado pelo choque séptico, anafilático ou neurogênico, é caracterizada por uma vasodilatação sistêmica maciça. Isso leva a uma diminuição acentuada da resistência vascular sistêmica (RVS) e, consequentemente, a uma redução da pressão arterial. O índice cardíaco (IC) pode estar normal ou elevado, como um mecanismo compensatório para tentar manter a perfusão. As pressões de enchimento cardíaco, como a pressão venosa central (PVC) e a pressão de oclusão da artéria pulmonar (PoCP), são variáveis no choque distributivo. Elas podem ser baixas se houver hipovolemia relativa ou absoluta, ou podem estar normais a elevadas após a ressuscitação volêmica. O tratamento visa restaurar a perfusão tecidual através de fluidos, vasopressores para aumentar a RVS e tratamento da causa subjacente.

Perguntas Frequentes

Quais são as características hemodinâmicas do choque distributivo?

O choque distributivo é caracterizado por uma resistência vascular sistêmica (RVS) marcadamente baixa devido à vasodilatação generalizada. O índice cardíaco (IC) geralmente está elevado ou normal, e as pressões de enchimento cardíaco (PVC, PoCP) são variáveis, dependendo do estado volêmico do paciente.

Como a resistência vascular sistêmica (RVS) se comporta nos diferentes tipos de choque?

A RVS está baixa no choque distributivo (séptico, anafilático, neurogênico). Nos choques cardiogênico, hipovolêmico e obstrutivo, a RVS geralmente está elevada como mecanismo compensatório para tentar manter a pressão arterial em face de um débito cardíaco reduzido.

Por que as pressões de enchimento são variáveis no choque distributivo?

As pressões de enchimento (PVC, PoCP) no choque distributivo são variáveis porque, embora haja vasodilatação, o volume intravascular pode ser baixo (por perdas ou má distribuição), normal ou até alto (após ressuscitação volêmica agressiva). A vasodilatação aumenta a capacitância venosa, o que pode levar a pressões de enchimento baixas se não houver volume suficiente para preencher esse espaço.

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