Choque da Dengue: Reconhecimento e Manejo na Fase Crítica

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2023

Enunciado

A dengue é a arbovirose urbana mais prevalente nas Américas, principalmente no Brasil. É uma doença febril que tem se mostrado de grande importância, em saúde pública, nos últimos anos. O vírus dengue é um arbovírus transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti e possui quatro sorotipos diferentes.Sobre a dengue, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A prova do laço é importante para o diagnóstico diferencial da dengue, porém não deve ser realizada em pacientes com mais de 65 anos de idade, devido ao risco de complicações.
  2. B) A dengue pode ser confirmada através da sorologia – método Enzyme-Linked Immunosorbent Assay (ELISA), que deve ser solicitada a partir do segundo dia do início dos sintomas.
  3. C) O choque da dengue ocorre quando um volume crítico de plasma é perdido através do extravasamento para o terceiro espaço, o que geralmente ocorre entre o 12º e 14º dia da doença.
  4. D) O choque hemodinâmico da dengue é de rápida instalação e tem curta duração; podendo levar o paciente a óbito em um intervalo de 12 a 24 horas ou a sua recuperação rápida, após terapia apropriada.
  5. E) O uso de aspirina (AAS) e de anti-inflamatório é permitido durante a suspeita clínica de dengue, e deve ser suspenso somente após o diagnóstico laboratorial da doença.

Pérola Clínica

Choque da dengue: rápida instalação e curta duração (12-24h), exige manejo imediato para evitar óbito ou garantir recuperação.

Resumo-Chave

O choque hemodinâmico na dengue é uma complicação grave da fase crítica, caracterizada por extravasamento plasmático e hipovolemia. Sua rápida instalação e curta janela terapêutica (12-24 horas) exigem reconhecimento precoce e manejo agressivo com reposição volêmica para evitar desfechos fatais.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto em saúde pública, causada por um flavivírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Com quatro sorotipos, a infecção pode variar de quadros assintomáticos a formas graves, como a dengue com sinais de alarme e a dengue grave, que inclui o choque. A doença evolui em três fases: febril, crítica e de recuperação. A fase crítica, geralmente entre o 3º e o 7º dia após o início dos sintomas, é o período de maior risco para o desenvolvimento de complicações graves, como o choque. Este é causado principalmente pelo extravasamento plasmático para o terceiro espaço, levando à hipovolemia e, se não tratado, à falência circulatória. O choque hemodinâmico da dengue é de instalação rápida e curta duração, exigindo reconhecimento precoce dos sinais de alarme (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, letargia, hepatomegalia, hipotensão postural) e manejo imediato com reposição volêmica intravenosa. A contraindicação de AAS e AINEs é fundamental devido ao risco de sangramento e agravamento da disfunção plaquetária. O diagnóstico laboratorial pode ser feito por detecção de antígeno NS1 nos primeiros dias ou sorologia (IgM/IgG) a partir do 5º dia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme da dengue que indicam a fase crítica?

Os sinais de alarme da dengue incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia e aumento progressivo do hematócrito. A presença desses sinais indica a necessidade de internação e monitoramento rigoroso.

Por que AAS e AINEs são contraindicados na dengue?

Aspirina (AAS) e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são contraindicados na dengue devido ao risco de aumentar a tendência a sangramentos, pois podem interferir na função plaquetária e na coagulação. Seu uso pode agravar o quadro hemorrágico da doença, que já é uma complicação potencial da dengue.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da dengue em diferentes fases?

Nos primeiros 5 dias de sintomas, o diagnóstico pode ser feito pela detecção do antígeno NS1 ou por RT-PCR para o vírus. Após o 5º-7º dia, a sorologia (ELISA para IgM e IgG) torna-se mais útil, detectando anticorpos produzidos em resposta à infecção.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo