Choque na Dengue: Fisiopatologia e Manejo na Fase Crítica

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2025

Enunciado

Com relação ao choque na dengue, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) É de instalação lenta e tem duração longa, não sendo, em si, uma emergência.
  2. B) Um paciente com dengue que esteja em choque pode ir a óbito entre duas a quatro horas ou se recuperar rapidamente após esse período.
  3. C) O período de extravasamento plasmático e choque leva de 24 a 48 horas, devendo a equipe assistencial estar alerta para as alterações hemodinâmicas nesse período.
  4. D) Pacientes em choque têm frequência cardíaca normal, com pulso fraco e enchimento capilar normal.

Pérola Clínica

Choque na dengue = extravasamento plasmático maciço durante a fase crítica (defervescência), durando 24-48h.

Resumo-Chave

O choque na dengue não é primariamente hemorrágico, mas sim distributivo e hipovolêmico, causado pelo aumento da permeabilidade capilar. O período de maior risco coincide com a queda da febre (defervescência), quando o extravasamento de plasma para o terceiro espaço se intensifica, podendo levar ao choque em poucas horas.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose que pode evoluir para formas graves, sendo o choque a principal causa de óbito. O evento fisiopatológico central da dengue grave é o aumento transitório da permeabilidade vascular, que leva ao extravasamento de plasma para o espaço extravascular. Este fenômeno é mais intenso durante a chamada fase crítica, que geralmente ocorre entre o 3º e o 7º dia de doença, coincidindo com a defervescência (queda da febre). O extravasamento plasmático, que dura de 24 a 48 horas, resulta em hemoconcentração, hipovolemia e pode progredir para choque. Clinicamente, a iminência do choque é sinalizada pelos 'sinais de alarme', como dor abdominal intensa e vômitos. O diagnóstico do choque é clínico, caracterizado por taquicardia, pulsos finos, enchimento capilar lento (>2s) e extremidades frias, podendo evoluir para hipotensão em fases tardias. O manejo do choque por dengue é uma emergência médica e baseia-se na reposição volêmica vigorosa e monitorada com soluções cristaloides. A identificação precoce dos sinais de alarme e a intervenção imediata são fundamentais para prevenir a evolução para o choque refratário e a falência de múltiplos órgãos, melhorando significativamente o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme que precedem o choque na dengue?

Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia ou irritabilidade, e hipotensão postural. A presença de qualquer um desses sinais indica a necessidade de internação e hidratação venosa imediata.

Qual a conduta inicial no manejo do choque por dengue?

A conduta inicial é a expansão volêmica rápida com solução cristaloide, como soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato, na dose de 20 mL/kg em 15-20 minutos. A resposta do paciente deve ser reavaliada continuamente, ajustando a infusão de fluidos conforme a melhora dos parâmetros hemodinâmicos.

Como o hematócrito ajuda a monitorar o extravasamento plasmático na dengue?

O hematócrito é um marcador crucial. Um aumento de 20% ou mais em relação ao valor basal, ou um valor acima de 40% em mulheres e 45% em homens, indica hemoconcentração devido ao extravasamento plasmático. A queda do hematócrito durante a reposição volêmica sugere melhora, mas uma queda abrupta sem melhora clínica pode indicar hemorragia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo