Choque Cardiogênico em Lactentes: Diagnóstico e Manejo

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Menino, 5 meses, com história de tosse, dificuldade respiratória e cansaço às mamadas há 3 dias. Nas últimas 24 horas, houve intensificação do cansaço, com recusa alimentar. Refere febre baixa no início do quadro. Exame físico: descorado +/4+, palidez cutânea, afebril, irritado, FR= 178bpm, FR= 65irpm, saturação transcutânea de oxigênio= 92% (ar ambiente), pulsos de baixa amplitude, tempo de enchimento capilar de 3 segundos; Coração: bulhas normofonéticas, com 3ª bulha presente, sem sopros; Pulmões:murmúrio vesicular simétrico e estertores subcrepitantes em bases; Abdome: flácido, fígado palpável à 4 cm do rebordo costal direito. OS DIAGNÓSTICOS SINDRÔMICO, ANATÔMICO E ETIOLÓGICO SÃO:

Alternativas

  1. A) Síndrome do desconforto respiratório agudo, bronquiolite, vírus sincicial respiratório.
  2. B) Choque cardiogênico, miocardite, enterovírus.
  3. C) Choque séptico, abscesso hepático, Staphylococcus aureus.
  4. D) Choque séptico, pneumonia, Streptococcus pneumoniae.

Pérola Clínica

Lactente com sinais de choque, B3, hepatomegalia e desconforto respiratório → suspeitar de choque cardiogênico por miocardite.

Resumo-Chave

O quadro de um lactente com taquicardia, taquipneia, pulsos débeis, TEC prolongado, hepatomegalia e B3 sugere fortemente choque cardiogênico. A miocardite viral, frequentemente por enterovírus, é uma causa comum de insuficiência cardíaca aguda nessa faixa etária, manifestando-se com sintomas respiratórios e sistêmicos.

Contexto Educacional

O choque cardiogênico em lactentes é uma emergência médica grave, caracterizada por disfunção miocárdica que leva à perfusão tecidual inadequada. É crucial reconhecer rapidamente os sinais de choque, como taquicardia, taquipneia, pulsos débeis, tempo de enchimento capilar prolongado e irritabilidade, que podem ser acompanhados por hepatomegalia e a presença de uma terceira bulha (B3) no exame cardíaco. A miocardite viral é uma das causas mais comuns de choque cardiogênico nessa faixa etária, frequentemente desencadeada por enterovírus. A fisiopatologia envolve a inflamação do miocárdio, resultando em comprometimento da função de bomba do coração e consequente diminuição do débito cardíaco. O diagnóstico é clínico, mas exames complementares como eletrocardiograma, ecocardiograma e marcadores cardíacos são essenciais para confirmar a disfunção miocárdica e avaliar a extensão do dano. A suspeita deve ser alta em lactentes com sintomas respiratórios e sistêmicos que progridem para sinais de choque e insuficiência cardíaca. O tratamento inicial visa estabilizar o paciente com suporte hemodinâmico, incluindo oxigenoterapia, ventilação assistida se necessário, e uso de inotrópicos e diuréticos para otimizar a função cardíaca e reduzir a congestão. O prognóstico varia dependendo da etiologia e da resposta ao tratamento, mas a detecção precoce e a intervenção agressiva são fundamentais para melhorar os desfechos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de choque cardiogênico em lactentes?

Os sinais incluem taquicardia, taquipneia, pulsos de baixa amplitude, tempo de enchimento capilar prolongado, palidez, irritabilidade, hepatomegalia e presença de terceira bulha (B3).

Qual a principal causa de miocardite em crianças pequenas?

Em crianças pequenas, os enterovírus são a causa mais comum de miocardite viral, embora outros vírus como adenovírus e parvovírus B19 também possam estar envolvidos.

Como diferenciar choque cardiogênico de choque séptico em pediatria?

No choque cardiogênico, há sinais de disfunção cardíaca (B3, hepatomegalia, pulsos débeis) e má perfusão, enquanto no choque séptico, a febre alta e um foco infeccioso claro são mais proeminentes, e os pulsos podem ser amplos na fase quente.

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