UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
Lactente de 11 meses de idade, iniciou quadro de febre há 15 dias, seguida de tosse, recusa alimentar e progressão para desconforto respiratório. Refere melhora do quadro febril há 5 dias, persistindo dispneia e dificuldade para mamar em virtude do cansaço. Ao exame físico:reg, pálido, dispneico, hidratado, acianótico; Of: sem alterações; Ap: estertores subcrepitantes em bases, bilateralmente; FR: 64ipm; SO2: 92%; ban e tiragem intercostal; AC: bcnf rcr 2t, ss; Fc: 174 bpm; enchimento capilar 4 segundo; PA: 60x 40 mmhg; Abd: flácido, fígado 4 cm rcd; SN: letárgico; sem sinais de irritação meníngea; Pulsos periféricos finos; Leucograma: 4500 leucocitos com predomínio de linfócitos; Pcr: 10; CKMB: 180; Rx tórax: cardiomegalia. O diagnostico provável é:
Lactente com febre prévia, dispneia, taquicardia, hipotensão, TPC > 3s, hepatomegalia, cardiomegalia e CKMB ↑ → Choque Cardiogênico.
O quadro clínico de um lactente com história de infecção viral prévia, progressão para desconforto respiratório, sinais de baixo débito cardíaco (taquicardia, hipotensão, TPC prolongado, pulsos finos, letargia), hepatomegalia e cardiomegalia ao raio-X, com elevação de CKMB, é altamente sugestivo de choque cardiogênico, frequentemente secundário a uma miocardite.
O choque cardiogênico em lactentes é uma emergência pediátrica grave, caracterizada por uma falha do coração em bombear sangue suficiente para atender às demandas metabólicas do corpo, resultando em hipoperfusão tecidual e disfunção orgânica. A etiologia mais comum em crianças previamente saudáveis, especialmente após um quadro viral, é a miocardite, uma inflamação do músculo cardíaco. O diagnóstico precoce é crucial e baseia-se na história clínica de um quadro viral prévio seguido de deterioração cardiorrespiratória. Ao exame físico, o lactente apresenta sinais de baixo débito cardíaco, como taquicardia, hipotensão, tempo de enchimento capilar prolongado, pulsos finos, extremidades frias, letargia e hepatomegalia devido à congestão venosa. O desconforto respiratório é comum devido à congestão pulmonar. Exames complementares são essenciais para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da lesão. O raio-X de tórax pode revelar cardiomegalia e sinais de congestão pulmonar. Marcadores de lesão miocárdica, como CKMB e troponina, podem estar elevados. O ecocardiograma é fundamental para avaliar a função ventricular e identificar anomalias estruturais. O tratamento visa otimizar a função cardíaca, melhorar a perfusão e tratar a causa subjacente, incluindo suporte ventilatório, inotrópicos e, em casos graves, suporte circulatório mecânico.
Os sinais incluem taquicardia, hipotensão, tempo de enchimento capilar prolongado (>2-3 segundos), pulsos finos ou ausentes, extremidades frias, letargia, oligúria e hepatomegalia.
A miocardite viral é uma causa comum, onde uma infecção viral (ex: enterovírus, adenovírus) leva à inflamação e disfunção do miocárdio, resultando em insuficiência cardíaca e choque.
No choque cardiogênico, há sinais proeminentes de disfunção miocárdica (cardiomegalia, CKMB elevado, disfunção ventricular ao eco), enquanto no choque séptico, a infecção sistêmica é o foco principal, com sinais de vasodilatação ou vasoconstrição periférica e disfunção orgânica generalizada.
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