Choque Cardiogênico Pediátrico: Diagnóstico e Sinais Chave

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Criança de 2 anos, estava brincando nos fundos de casa, quando iniciou choro intenso. Após alguns minutos, apresentou muitos eplsódios de vomitos, audorese e palidez. Mãe procurou atendimento de urgência. Ao exame: sonolonta, sudoreica, com extremidades frias, sialorreica FC: oscilando de 90 a 166 bpm, FR: 45 ipm, oximetria de pulso: 90% om ar ambiento, PA: 138/80 mmHg. Ausculta cardiaca arritmica, sem sopros. Ausculta pulmonar: murmúrios reduzidos e com estertores em bases. Glicosimetria capilar: 364 mg/dL. Considerando o caso clinico acima, qual o tipo de choque envolvido?

Alternativas

  1. A) Hipovolémico
  2. B) Anafilático.
  3. C) Cardiogênico.
  4. D) Séptico.

Pérola Clínica

Criança com choque + congestão pulmonar + arritmia + hiperglicemia → suspeitar de choque cardiogênico.

Resumo-Chave

O quadro clínico da criança, com sinais de hipoperfusão (sonolência, extremidades frias, sudorese, palidez), associado a sinais de congestão pulmonar (estertores, FR elevada, oximetria baixa), arritmia cardíaca e hipertensão arterial paradoxal (PA 138/80 mmHg em choque) e hiperglicemia, é altamente sugestivo de choque cardiogênico, indicando falha da bomba cardíaca.

Contexto Educacional

O choque em pediatria é uma síndrome de hipoperfusão tecidual que leva à disfunção celular e orgânica. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para a sobrevida. O choque cardiogênico, especificamente, é causado por uma falha da bomba cardíaca em manter um débito cardíaco adequado para as necessidades metabólicas do corpo, resultando em hipoperfusão sistêmica e, frequentemente, congestão pulmonar. No caso apresentado, a criança exibe um quadro clássico de choque cardiogênico: sinais de hipoperfusão (sonolência, sudorese, extremidades frias, palidez) combinados com evidências de congestão pulmonar (estertores em bases, taquipneia, oximetria baixa). A presença de arritmia cardíaca (FC oscilando de 90 a 166 bpm), sialorreia (sinal de disfunção autonômica ou congestão) e hiperglicemia (resposta ao estresse) reforçam a disfunção miocárdica primária. A pressão arterial elevada (138/80 mmHg), embora possa parecer contraditória, pode ocorrer em fases iniciais de choque cardiogênico devido à vasoconstrição compensatória intensa. O manejo do choque cardiogênico pediátrico difere significativamente de outros tipos de choque, como o hipovolêmico ou séptico. A administração excessiva de fluidos pode piorar a congestão pulmonar e a disfunção cardíaca. O tratamento foca em otimizar a função miocárdica com inotrópicos, corrigir arritmias, e gerenciar a congestão com diuréticos e, se necessário, vasodilatadores. O diagnóstico diferencial é vital para evitar condutas inadequadas que podem agravar o quadro.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de choque em crianças?

Os sinais de choque em crianças incluem taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), extremidades frias, pulsos débeis, alteração do estado mental (sonolência, irritabilidade), oligúria e hipotensão (sinal tardio).

Como diferenciar choque cardiogênico de choque hipovolêmico em pediatria?

No choque cardiogênico, há sinais de hipoperfusão associados a congestão pulmonar (taquipneia, estertores, hipoxemia) e, por vezes, hepatomegalia. No choque hipovolêmico, a congestão pulmonar está ausente, e os sinais são predominantemente de desidratação e hipovolemia.

Por que a hiperglicemia pode ocorrer no choque cardiogênico?

A hiperglicemia no choque é uma resposta ao estresse, com liberação de catecolaminas e cortisol, que aumentam a glicogenólise e gliconeogênese, elevando os níveis de glicose no sangue.

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