Choque Cardiogênico: Uso de Inotrópicos na Emergência

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 62 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), diabetes e insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, é admitido no pronto socorro por quadro de dispneia intensa, ortopneia, confusão mental e oligúria.\nExame físico:\nPA: 98/62 mmHg\nFC: 118 bpm\nFR: 28 irpm\nSatO2: 89% em ar ambiente\nExtremidades frias, tempo de enchimento capilar >4s\nEstertores crepitantes em bases pulmonares\nEdema +++/4 em membros inferiores\nFoi iniciado oxigenoterapia e furosemida intravenosa, com diurese discreta.\nQual medida farmacológica pode ser associada neste momento?

Alternativas

  1. A) Nitroprussiato.
  2. B) Noradrenalina.
  3. C) Dobutamina.
  4. D) Adrenalina.
  5. E) Atropina.

Pérola Clínica

Perfil C (Frio e Úmido) → Inotrópico (Dobutamina) + Diurético cauteloso.

Resumo-Chave

No choque cardiogênico com hipoperfusão periférica e congestão, o uso de inotrópicos como a dobutamina visa restaurar o débito cardíaco e a perfusão tecidual.

Contexto Educacional

O choque cardiogênico representa um estado de hipoperfusão tecidual crítica decorrente da falência primária do coração em manter um débito cardíaco adequado. No cenário da IC descompensada, o paciente 'frio e úmido' necessita de suporte inotrópico para melhorar a performance ventricular. A dobutamina atua reduzindo a pós-carga (por leve efeito beta-2) e aumentando o volume sistólico. O manejo deve ser guiado pela melhora dos parâmetros de perfusão (lactato, diurese, nível de consciência) e resolução da congestão com diuréticos de alça, uma vez estabilizada a perfusão.

Perguntas Frequentes

Como identificar o Perfil C na IC aguda?

O Perfil C (Frio e Úmido) é caracterizado por sinais de congestão sistêmica ou pulmonar (estertores, edema, turgência jugular) associados a sinais de má perfusão tecidual (extremidades frias, tempo de enchimento capilar lentificado, oligúria e confusão mental). Hemodinamicamente, apresenta baixa pressão arterial ou pressão de pulso reduzida, com índice cardíaco baixo e pressões de enchimento elevadas. É o perfil de maior gravidade na classificação de Stevenson.

Por que escolher Dobutamina em vez de Noradrenalina?

A dobutamina é um agonista beta-1 adrenérgico que aumenta a contratilidade miocárdica (inotropismo) e a frequência cardíaca (cronotropismo), sendo a droga de escolha para reverter o baixo débito no choque cardiogênico. A noradrenalina é um vasopressor potente (alfa-1) usado para manter a pressão de perfusão média, mas não resolve a falência de bomba. Em casos de hipotensão severa (choque profundo), a noradrenalina pode ser associada à dobutamina para garantir uma PAM mínima.

Quais os riscos do uso de inotrópicos?

O uso de inotrópicos como a dobutamina está associado a um aumento do consumo de oxigênio pelo miocárdio e ao risco de arritmias ventriculares e supraventriculares. Além disso, em pacientes com IC crônica, o uso prolongado de inotrópicos está ligado ao aumento da mortalidade. Portanto, devem ser utilizados como 'ponte' para recuperação, transplante ou suporte mecânico, na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível.

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