Diferenciação Hemodinâmica dos Tipos de Choque

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

Sobre os diferentes tipos de choque, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) No choque cardiogênico, a Pressão Venosa Central (PVC) e a pressão de oclusão da artéria pulmonar costumam estar elevadas.
  2. B) No choque séptico inicial, predominam baixo débito cardíaco e pele fria.
  3. C) No choque hipovolêmico, a PVC costuma estar aumentada.
  4. D) No choque obstrutivo por embolia pulmonar, o débito cardíaco aumenta devido à pós-carga baixa.

Pérola Clínica

Choque cardiogênico = ↓ Débito Cardíaco + ↑ Pressões de Enchimento (PVC/PCP).

Resumo-Chave

O choque cardiogênico resulta da falha da bomba cardíaca, levando a baixo débito e acúmulo de volume retrógrado, elevando as pressões venosas e capilares.

Contexto Educacional

O choque é definido como um estado de hipoperfusão tecidual sistêmica, onde a oferta de oxigênio é insuficiente para suprir a demanda metabólica. A classificação clássica divide o choque em quatro categorias baseadas no mecanismo fisiopatológico: hipovolêmico (perda de volume), cardiogênico (falha de bomba), distributivo (vasodilatação excessiva) e obstrutivo (barreira física ao fluxo). A compreensão das variáveis hemodinâmicas — Débito Cardíaco (DC), Resistência Vascular Sistêmica (RVS) e Pressões de Enchimento (PVC e POAP) — é crucial para o diagnóstico diferencial. Enquanto o choque hipovolêmico e o cardiogênico compartilham o baixo DC e alta RVS, eles divergem nas pressões de enchimento. O choque distributivo é o único que apresenta, inicialmente, um DC elevado com RVS baixa, sendo fundamental o reconhecimento precoce para o manejo volêmico e vasopressor adequado.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar choque cardiogênico de hipovolêmico?

A principal diferença reside nas pressões de enchimento. No choque hipovolêmico, há perda de volume intravascular, resultando em Pressão Venosa Central (PVC) baixa e Pressão de Oclusão da Artéria Pulmonar (POAP) baixa. Já no choque cardiogênico, o coração não consegue bombear o sangue adequadamente, gerando um represamento retrógrado, o que eleva tanto a PVC quanto a POAP, apesar de ambos apresentarem baixo débito cardíaco e resistência vascular sistêmica aumentada.

O que caracteriza o perfil hemodinâmico do choque séptico?

O choque séptico é o principal exemplo de choque distributivo. Na sua fase inicial (hiperdinâmica), caracteriza-se por uma queda acentuada da Resistência Vascular Sistêmica (RVS) devido à vasodilatação mediada por citocinas. Para compensar, o Débito Cardíaco (DC) aumenta, resultando em extremidades quentes e tempo de enchimento capilar rápido. As pressões de enchimento (PVC/POAP) costumam estar baixas ou normais devido ao aumento da capacitância venosa.

Quais as características do choque obstrutivo no TEP?

No Tromboembolismo Pulmonar (TEP) maciço, ocorre uma obstrução aguda ao fluxo de saída do ventrículo direito (VD). Isso causa um aumento súbito da pós-carga do VD, levando à sua dilatação e falência. Hemodinamicamente, observa-se aumento da PVC (congestão sistêmica), mas a POAP (que reflete o lado esquerdo) costuma estar baixa ou normal, pois o sangue não consegue atravessar a circulação pulmonar para chegar ao átrio esquerdo.

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